Deputado que quer "piroca" seja patromônio imaterial do Amazonas
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171 visitas - Fonte: Folha
Um deputado estadual do Amazonas, em seu quarto mandato, apresentou um projeto que propõe transformar palavras como "piroca", "cabaço", "baitola", "pinguelo" e "xibiu" em patrimônio imaterial do Estado.
Membro da bancada evangélica, Wanderley Dallas (PMDB) listou os termos junto a dezenas de outros, como "cabeça dura", copiados do livro "Amazonês", do acadêmico Sérgio Freire, que pesquisa a linguagem da região.
Após enfrentar críticas, o peemedebista voltou atrás e disse que retirará palavrões do projeto, mas atacou os colegas. "É um grupo de deputados que se constrange com a palavra 'cabaço', mas usa de boca cheia em qualquer local", disse.
Na quarta-feira (22), ele subiu no plenário da Assembleia para se defender. "Tiram 30 palavras de todo o projeto, desvirtuando do contexto", reclamou.
Embora seja de 2012, o projeto de lei só começou a tramitar em comissões da Casa este ano. No texto, ao lado de cada tópico, segue uma explicação, como: "Cabaço, O hímen. 'Essa aí tem cara de que já perdeu o cabaço'."
A necessidade de analisar a viabilidade jurídica do projeto irritou o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Orlando Cidade (PTN), que o considera "sem a menor consistência".
"Ele [Dallas] já tentou transformar em patrimônio até a festa do repolho. Tem muito deputado que faz isso. Aí depois põe um outdoor dizendo que é o que mais apresentou projeto", disse.
Ele pediu à Mesa Diretora que mude o regimento para que a CCJ também possa vetar matérias que não sejam de utilidade pública. Atualmente, ela decide apenas sobre a constitucionalidade dos textos.
Dallas diz que os colegas se "incomodam" porque ele tem "355 projetos e 86 deles são leis", mas nega ter feito o tipo de publicidade mencionado por Cidade.
Além do repolho, ele já tentou transformar em patrimônio as festas do Boto, do Pirarucu e da Soltura dos Quelônios. Um deputado no Amazonas ganha pouco mais de R$ 25 mil por mês.
No Facebook, Sérgio Freitas defendeu o projeto. "O português oral falado aqui é riquíssimo e lhe cortar partes numa censura linguística –porque é 'feio'– é de uma pobreza intelectual imensa", escreveu em seu perfil.
"Isso é falso moralismo. Se fosse usar amazonês, diria que são uns tremendos babacas", afirmou Dallas. A palavra "babaca", no entanto, não aparece no glossário de Freitas.
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