Jornal espanhol escracha Temer: ele é indigno para o cargo que ocupa
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1837 visitas - Fonte: el país
O presidente não eleito, Michel Temer, bateu uma marca incrível: perdeu seis ministros em seis meses, todos envolvidos em denúncias de corrupção. O mais recente, Geddel Vieira Lima, homem forte do Governo, foi denunciado por um colega, Marcelo Calero, por pressões para aprovar uma obra em área tombada pelo patrimônio histórico, e na qual, por acaso, possuía um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões. Antes da demissão, Temer, por meio de seu porta-voz, Alexandre Parola, havia declarado apoio a Geddel, mesmo ele tendo admitido a conversa com Calero. “Trata-se de um episódio menor”, disse, numa demonstração óbvia de conivência com um crime – neste caso, crime de concussão, quando uma pessoa exige para si vantagem em função do cargo que ocupa.
Hoje sabe-se o motivo pelo qual Michel Temer foi tão enfático em defender Geddel Vieira Lima: ele mesmo teria pressionado Marcelo Calero para mudar o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), assim como outro de seus ministros, o da Casa Civil, Eliseu Padilha. Calero afirma que possui gravações que comprovariam suas denúncias. Ou seja, segundo o ex-ministro da Cultura, Temer e Padilha também cometeram crime de concussão. Por muito, muito menos, o vice-presidente, secundado pelo Congresso Nacional e pelo Judiciário, tramou o golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, contra quem, até hoje, não se comprovou qualquer irregularidade.
Como intercedeu por Geddel, agora Temer protege Padilha, ex-ministro dos Transportes no Governo Fernando Henrique (1997-2001) e ministro da Secretaria da Aviação Civil no Governo Dilma (2014-2015), e alvo de vários inquéritos na Justiça por envolvimento em inúmeras irregularidades, inclusive na Operação Lava Jato. A frase de Temer em defesa de Padilha é, aliás, bastante reveladora: “O que ele fez foi o que eu de alguma maneira disse“, referindo-se à conversa que teve com Calero. Outros quatro ministros de Temer, além de Padilha, aparecem citados na Operação Lava Jato: Raul Jungman (Defesa), Bruno Araújo (Cidades), Ricardo Barros (Saúde) e Mendonça Filho (Educação), além de José Serra, candidatíssimo à Presidência da República, atual ministro das Relações Exteriores, acusado de receber, via caixa dois, R$ 23 milhões da empreiteira Odebrecht para financiar sua campanha eleitoral em 2010. O próprio Michel Temer é considerado, pela Lei da Ficha Limpa, inelegível em 2018.
O curioso é que, ainda assim, ao invés de mobilizações “patrióticas” contra a corrupção, lideradas por aqueles que hoje se orgulham de se autoproclamarem “de direita”, vestindo camisas amarelas e discursos hipocritamente moralistas, o que vemos são declarações como as do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chefe dos tucanos, reiterando seu apoio e o de seu partido ao Governo ilegítimo de Temer, usando como argumento um impensável cinismo, vindo de alguém que um dia posou de estadista: “Isso é o que temos”. Não muito distante do “argumento” do presidente do Senado, Renan Calheiros, contra quem correm 12 inquéritos no Supremo Tribunal Federal, advogando em favor de Temer: “as alegações do ex-ministro da Cultura não afetam o presidente, que reúne todas as condições para levar adiante o processo de transição”. Poucos dias atrás, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, eventual presidente da República na ausência de Temer, agia em prol de Geddel Vieira Lima, afirmando: “O ministro tem apoio do Parlamento, tem confiança do Parlamento, tem exercido papel fundamental para o Governo na articulação política”...
Tivesse o mínimo de brio, o mínimo de dignidade, Michel Temer pediria demissão do cargo para o qual não foi eleito e que vem demonstrando, dia a dia, incapacidade moral para exercê-lo. Mas ele não tem brio, não tem dignidade.
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