Estranho! Mandado de prisão de Eike saiu no dia 13 mas a PF só tentou cumprir depois que ele saiu do país
Ele saiu do país, passando pela PF, no dia 24
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O jornalista Josias de Souza usou seu blog no portal UOL, nesta sexta (27), para cobrar da Lava Jato explicações sobre o fato de Eike Batista não ter sido alcançado por um mandado de prisão assinado pelo juiz Marcelo Bretas. O mandado foi expedido no dia 13 de janeiro, mas a Polícia Federal só decidiu cumprir a ordem mais de 10 dias depois, dando tempo para que o magnata fizesse uma viagem internacional em posse de um passaporte alemão, pois tem dupla cidadania.
Agora, a imprensa levanta a hipótese de Eike chegar à Alemanha a partir de Nova York, onde está no momento, e gerar dificuldades à Lava Jato.
Josias ainda destacou que não faz sentido a Polícia Federal afirmar que estava monitorando os passos dos investigados e deixar um dos principais alvos do mandado de prisão viajar sem que se houvesse notícias.
Por Josias de Souza
No Blog do Josias
A ordem de prisão de Eike Batista consta de um despacho assinado pelo juiz federal Marcelo Bretas em 13 de janeiro de 2017. Mas só nesta quinta-feira (26), 13 dias depois da expedição do mandado judicial, os agentes federais foram à mansão do ex-bilionário, no Rio. Não o encontraram. Informou-se que decolara para Nova York dois dias antes, na noite de terça-feira.
Tacio Muzzi, delegado da Polícia Federal, saiu-se com uma explicação singela: “Em relação à viagem do senhor Eike Batista, não havia prévio conhecimento. Estava-se acompanhando a movimentação dos investigados e, na madrugada de hoje (26), chegou ao conhecimento que poderia ter saído para fora do país na data do dia 24, na parte da noite.” Hummmm.
A fala do doutor contém um paradoxo que resulta num déficit de explicação. Ora, se “estava acompanhando a movimentação dos investigados”, por que a Polícia Federal não teve “prévio conhecimento” do deslocamento do investigado-mor? Por que a força policial precisou de quase duas semanas para executar a ordem que os investigadores requisitaram ao juiz?
Advogado de Eike, Fernando Teixeira Martins, que trabalhou como agente da Polícia Federal de 2004 a 2015, acompanhou a batida de busca e apreensão na mansão do seu cliente. Disse que ele deseja retornar ao Brasil “o mais rápido possível” e tem a disposição de colaborar. Pode ser. Entretanto, se não for alcançado pelo Interpol, Eike só retorna se quiser. Leva no bolso um passaporte alemão. E não lhe faltam recursos.
A exemplo da Polícia Fderal, também a Procuradoria renderia homenagens aos controibuintes se dissesse meia dúzia de palavras sobre a mobilidade de Eike. Afinal, o juiz Marcelo Bretas anotou em seu despacho: “Caberá ao MPF [Ministério Público Federal] as providências devidas à execução das medidas.” Entre elas a prisão de Eike Batista.
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