Após jantares para aprovar a PEC 55, Temer oferece novo banquete milionário para aprovar a reforma da Previdência
Compartilhe
264689 visitas - Fonte: g1
O presidente Michel Temer ofereceu na noite desta segunda-feira (6) um jantar no Palácio da Alvorada a ministros e líderes da base aliada para discutir a proposta do governo para a reforma da Previdência. Ele chegou à residência oficial da Presidência por volta das 19h30 (saiba ao final desta reportagem quem esteve presente ao jantar).
Temer vem reforçando as conversas com os aliados para tentar garantir a aprovação no Congresso de propostas consideradas essenciais pelo Planalto, como as reformas previdenciária e trabalhista.
O presidente voltou a se envolver diretamente com as conversas porque um dos principais responsáveis pela articulação política do governo, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, está afastado há mais de 15 dias do Planalto por problemas de saúde.
Deputados da oposição e até mesmo da base aliada têm criticado o texto enviado pelo governo. Para alguns parlamentares, é preciso rever a proposta de idade mínima de 65 anos para se aposentar, a regra de transição e a contribuição por 49 anos para que o contribuinte receba o valor integral do benefício.
Um dos objetivos do Planalto com as reuniões para tratar do tema é acertar o conteúdo das emendas a serem apresentadas pelos deputados aliados, segundo apurou o G1.
O que disseram os deputados
Segundo deputados que estiveram presentes ao jantar, Temer foi o primeiro a falar e fez uma defesa sobre a importância de se aprovar a reforma da Previdência. Depois, alguns parlamentares fizeram questionamentos, respondidos pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
"[Ojantar] foi importante para traçar estratégias políticas e de comunicação para conseguir aprovar a reforma", afirmou ao G1 o líder do DEM, Efraim Filho (PB).
O líder do PSDB, Ricardo Tripoli (SP), explicou que ficou acertado que as bancadas farão reuniões internas para identificar os pontos de consenso, que, segundo ele, devem ser entre "70% e 80%" da proposta original. A partir daí, explicou, os pontos de dissenso serão conversados.
"O governo quer aprovar a reforma da maneira que está, mas sabe que alguns ajustes deverão ser feitos", disse Tripoli ao deixar o jantar.
Reforma da Previdência
A proposta foi enviada em dezembro pelo governo ao Congresso e, em fevereiro, foi instalada a comissão especial para analisar o texto na Câmara. A expectativa do governo é de que a reforma seja aprovada no plenário da Casa em abril para, então, ser enviada ao Senado.
O Planalto defende que a reforma da Previdência funcionará como um complemento à proposta, já sancionada por Temer, que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos.
Entre outros pontos, o governo propôs:
Idade mínima de 65 anos para o cidadão se aposentar;
Aposentadoria integral após 49 anos de contribuição;
Prazo mínimo de contribuição para o INSS de 25 anos.
Negociação
Pela manhã, o relator do texto na Câmara, Arthur Maia, se reuniu com Henrique Meirelles e Marcelo Caetano na Fazenda para tratar do assunto.
Segundo ele, ainda não há acordo entre governo e deputados sobre a definição da idade mínima para que trabalhadores tenham direito à aposentadoria pelo INSS. Uma das possíveis mudanças discutidas por membros do Congresso no texto enviado pelo governo Temer é a redução da idade mínima proposta para a aposentadoria.
O relator também voltou a afirmar que a regra de transição proposta pelo governo é "muito abrupta e merece um aprofundamento maior".
Pela proposta, a regra de transição atingiria mulheres acima dos 45 anos e homens acima dos 50, que teriam que contribuir para a Previdência por um prazo adicional, equivalente à metade do tempo que teriam que contribuir pelas regras atuai, para terem direito à aposentadoria pelo INSS.
Arthur Maia também defendeu que o texto passe a prever punição a gestores públicos, como prefeitos e governadores, que deem "calote" na Previdência.
De acordo com o relator, esse calote acontece quando uma prefeitura, por exemplo, deixa de repassar ao sistema previdenciário a contribuição patronal de 20%. Além dela, existe a contribuição previdenciária dos servidores, de 8%.
Maia informou que esses gestores não podem deixar de repassar os 8% da contribuição previdenciária dos servidores porque podem ser processados por apropriação indébita. Entretanto, disse, não há punição se deixarem de repassar os 20% da contrapartida patronal.
Lista
Leia abaixo a lista de presentes ao jantar, segundo a assessoria da Presidência:
Presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Ministro interino Daniel Sigelmann, Casa Civil
Ministro Henrique Meirelles, Fazenda
Antônio Correio de Almeida, secretário-executivo do Ministério do Trabalho
Ministro Dyogo Oliveira, Planejamento
Ministro Antônio Imbassahy, Secretaria de Governo
Marcelo Caetano, secretário de Previdência Social
Senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado
Deputado André Moura (PSC-SE), líder do governo no Congresso
Deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder do governo na Câmara
Deputado Baleia Rossi (PMDB-SP), líder do PMDB na Câmara
Deputado Ricardo Tripoli ( PSDB-SP), líder do PSDB na Câmara
Deputado Arthur Lira (PP-AL)
Deputado Aelton Freitas (PR-MG)
Deputado Marcos Montes (PSD-MG)
Deputada Tereza Cristina (PSB-MS)
Deputado Efrain Filho (DEM-PB)
Deputado Cleber Verde (PRB-MA)
Deputado Luis Tibé (PTdoB-MG)
Deputado Alfredo Kaefer (PSL-PR)
Deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), líder da Maioria
Deputado Arthur Maia (PP-AL)
Deputado Daniel Vilela (PMDB-GO)
Deputado Rogério Marinho (PSDB-RN)
Deputado Carlos Henrique Gaguim (PMDB-TO)
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Vexame na Bahia! Vice de Flávio Bolsonaro foge de evento com medo de flopar e inventa desculpa esfarrapada!!
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
