Tucano que deu o voto decisivo para queda de Dilma, um ano depois, é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção
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O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), será investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR) pelos crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro no âmbito da operação Lava Jato. Ele é suspeito de ter recebido R$ 600 mil da empreiteira Odebrecht para agir em favor da empresa no Congresso quando era deputado federal.
Araújo está na lista de políticos que serão alvos de novos inquéritos após o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a investigação com base nas delações de ex-executivos da Odebrecht. Na lista, aparecem 9 ministros, 29 senadores, 42 deputados e 3 governadores.
Segundo o depoimento de quatro delatores da Odebrecht – João Antônio Pacífico Ferreira, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Cláudio Melo Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares – o ministro das Cidades recebeu repasses em dinheiro não contabilizados no valor de R$ 600 mil da empreiteira Odebrecht entre 2010 e 2012, quando ainda era deputado federal.
Os valores, ainda segundo as denúncias, foram entregues a pretexto de doação eleitoral. De acordo com o inquérito, o então deputado agiu em defesa dos interesses da empreiteira no Congresso Nacional. No pedido de abertura de inquérito feito pelo Procurador-Geral da República, há indícios de que Araújo praticou os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Em nota enviada pelo ministério das Cidades, Araújo afirma que pediu doações para diversas empresas conforme a lei eleitoral, inclusive para a Odebrecht e que manteve uma “relação institucional com todas essas empresas”. “Em todo o meu mandato, sempre atuei em prol de interesses coletivos. Atuei de acordo com a minha consciência”, disse no comunicado.
Araújo foi escolhido para assumir a pasta de Cidades no governo de Michel Temer em maio de 2016. O político e advogado pernambucano já foi eleito deputado federal três vezes e foi líder da oposição e do PSDB na Câmara.
Na Câmara dos Deputados, Araújo ganhou projeção em 2015, quando se tornou líder da oposição. Forte opositor de Dilma, ele usava as redes sociais constantemente para criticar o governo petista. Ele foi o responsável por dar o voto decisivo, de número 342, que autorizou o prosseguimento para o Senado do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
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