Grampos indicam que TV Record negociou entrevista com Temer em troca de patrocínio na Caixa
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42187 visitas - Fonte: Dcm
Conversas entre o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral de Governo) e um executivo da TV Record indicam uma negociação para a emissora ter demandas atendidas pela Caixa Econômica Federal em troca de fazer uma entrevista com o presidente Michel Temer (PMDB).
A conversa, travada entre Aécio e Douglas Tavolaro, sobrinho do bispo Edir Macedo e vice-presidente de jornalismo do grupo, fala em “juntar tudo num pacote e sair”.
Em outra conversa, citando o conhecimento do presidente Temer do pedido da Record, Aécio cobrou o ministro Moreira Franco para “entrar no circuito com o cara da Caixa” e este disse que já tinha encaminhado a demanda da emissora.
Tratava-se de um pedido de patrocínio da Record à Caixa — que foi negado pela área técnica do banco. Segundo a Caixa, foi o próprio Moreira Franco quem encaminhou o pedido da emissora. A entrevista da Record com Temer não foi realizada.
Em mais de um momento, durante um telefonema, Aécio e Moreira Franco dão a entender que há o aval de Temer. Em todos os diálogos, o telefone grampeado é o do senador Aécio Neves. Os grampos foram realizados na noite de 19 abril.
Naquele mês, Temer realizou um périplo de entrevistas à imprensa — estratégia que é elogiada pelo executivo da Record. O presidente, por exemplo, deu entrevistas exclusivas à TV Bandeirantes, duas ao SBT (uma delas ao apresentador Ratinho), além de rádios e agência de notícias. Na semana anterior, a delação da Odebrecht havia sido divulgada e colocado Temer em mais uma crise política.
Enquanto o Planalto montava um plano de entrevistas, Aécio Neves estava sendo grampeado pela Polícia Federal, em razão de ter sido flagrado em áudio pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS.
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É nesse contexto que acontecem as conversas. São três diálogos num espaço de poucos minutos. Em resumo, Aécio e Douglas tratam de uma entrevista com Temer e o executivo pede ao senador para falar com Moreira Franco. Minutos depois, o tucano fala com ministro.
Fica claro qual era a demanda da Record: um “assunto paralelo” na Caixa. Aécio usou a seguinte expressão ao pedir a Moreira Franco: “Entrar no circuito com o cara da Caixa”.
O tucano ainda avisa: “É aquelas coisas que não precisa falar por telefone”. Por fim, Aécio retorna a ligação a Douglas e pede para ele procurar Moreira Franco.
Tudo aconteceu num período de dez minutos. Primeiro, às 19h57. Era 19 de abril, uma quarta-feira.
O executivo da Record Douglas Tavolaro relata a Aécio que estava recebendo ligações do ministro Moreira Franco.
O executivo diz que, de propósito, não iria atender o telefonema, porque imaginava que seria um pedido de entrevista — e a resposta seria negativa.
“Só tem um jeito de sair. Se tiver uma coisa, entendeu?”, diz o executivo a Aécio. A Caixa não é citada ainda.
Leia o artigo completo aqui: http://www.diariodocentrodomundo.com.br
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