Política · Segurança

Polícia protege agressores da caravana de Lula

Esta reportagem faz parte da série sobre a Caravana de Lula no Sul, financiada pelos leitores através de crowdfunding. As demais estão aqui

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O ônibus onde estava o ex-presidente Lula foi alvo de um atentado na tarde deste domingo, quando chegava à cidade de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina.

Uma pedra foi atirada no pára-brisas do ônibus, abriu um buraco e, por pouco, não atingiu o motorista.

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“Eu só vi quando a pedra veio na minha direção, com muita força, abriu um buraco no vidro e eu acelerei, para evitar mais pedradas”, disse o motorista.

“O motorista poderia ter sido atingido e, com isso, perder a direção do ônibus, onde estávamos todos nós”, disse a ex-senadora Idelli Salvati, que estava no ônibus de Lula. “Poderia ter acontecido uma tragédia”, acrescentou.

Imagens feitas por fotógrafos indicam quem está à frente dos ataques. Um deles é Luiz Henrique Crestani, que postou no Facebook foto dele no trevo de acesso à cidade.

“Lula, seu cu de aperta salame”, diz a faixa que ele segurava. A mesma faixa já tinha sido postada no instagran, dias antes, provavelmente quando tinha sido confeccionada. Na outra ponta, segurando, está um homem com uma motosserra.

O rapaz que na faixa de protesto usa vocabulário de já puxou cadeia é o mesmo que, em outro momento, posta foto com a menina e um cachorro, numa imagem de família feliz. E publica mensagens com conselhos de auto-ajuda como: “Ame o próximo na mesma proporção que se ama”.

Ou ainda: “Não seja tão duro com vc mesmo, e quando tudo parecer difícil, volte a ser uma criança novamente sem nenhum medo de responder aquela simples pergunta. O q vc quer ser quando crescer??”.

É de se perguntar como ele era quando criança. Crescido, se sabe do que é capaz: participou neste domingo de um ato violento e covarde.

Crestani apóia Bolsonaro, como se pode ver na sua rede social, e não é estranho ao mundo da política.

Há dois anos, gravou um vídeo de apoio à candidatura de seu pai à prefeitura de Palma Sola, no oeste de Santa Catarina, onde ele mora. “Nesse momento, seria uma grande injustiça se a gente não apoiasse, não colocasse ele de novo na prefeitura”, afirma.

Como se vê, o pai foi prefeito, mas, desta vez, o povo preferiu outro: Kiko Mantelli, do PMDB, que se candidatou por uma coligação que teve PT.

Crestani foi denunciado à Polícia pelo deputado Paulo Pimenta, líder do PT, por organizar e participar do protesto violento.

O telefone da assessoria do deputado Pimenta — 061.998603032 — foi divulgado durante o ato em São Miguel do Oeste, e começaram a chegar outras informações e fotos sobre o atentado.

Uma foto mostra uma mulher loira, bem vestida, correndo na direção do ônibus com uma pedra na mão. Outra foto a mostra de frente.

Tem a aparência de cidadã de bem — a expressão remete ao nome do primeiro jornal da organização racista Ku Klux Klan, nos Estados Unidos.

No Brasil, se a polícia quiser, pode identificar essa cidadã do bem, para, a partir daí, descobrir quem tentou provocar o acidente na estrada.

Fonte: diário do centro do mundo

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