Brasil

Le Monde, o maior jornal francês, estampa em sua capa: a extrema-direita chega ao poder no Brasil

O texto abaixo, publicado originalmente no TIJOLAÇO, é de Fernando Brito, um dos melhores intérpretes na imprensa brasileira destes dias tenebrosos:

[bn1][/bn1]

Lição básica do jornalismo é chamar as coisas pelo nome que as coisas têm.

Residência é casa ou apartamento; hospital não é nosocômio, morrer não é “passamento” nem falecer.

[bn2][/bn2]

O Le Monde deste domingo, que já está nas bancas francesas , pratica um jornalismo que os jornais brasileiros não têm coragem de praticar.

“A extrema-direita chega ao poder”, manchete de “fora a fora”, ou de oito colunas, no tempo que os jornais as tinham como medida.

Não porque brasileiros considerem a expressão “ultrapassada”, antijornalística: a usariam se fosse Marine Le Pen quem estivesse assumindo a presidência da França.

Mas o vento que venta cá não pode ter o nome do que ameaçou ventar por lá.

O jornalismo, se é que conserva este nome, passou a ser por aqui a arte do não dizer, do esticar, puxar, endurecer ou amaciar, conforme o freguês.

Sim, é isso, em uma linha: a extrema direita chega ao poder no Brasil.

Talvez ainda de forma provisória, com limitações formais – e cada vez menos – do estado de direito, com um personagem tosco, caricato ante ao mundo.

Mas quem deixa de ver que outro, mais sofisticado, está se articulando, vindo de Curitiba?

A luta pelo poder não está no horizonte da esquerda, mas entre as personagens desta tragédia nacional.

Entre outras razões, porque o jornalismo brasileiro, faz tempo, deixou de tratar as coisas pelo nome que as coisas têm.

Fonte: Brasil247

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaRicharlison denuncia Flávio Bolsonaro e pede intervenção da PF em disputa por mansão