Política

Texto de Bolsonaro é para desviar foco de seu filho, Flávio, e da investigação que vai derrubá-lo

A explicação do presidente Jair Bolsonaro para ter distribuído um texto não assinado, em que afirma que o país "é ingovernável" fora dos conchavos, serve como uma pista para onde ele quer chegar.

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Releia (grifo do blog]:

"Venho colocando todo meu esforço para governar o Brasil. Infelizmente os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o país de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude!"

Entendeu? Explico:

Nas redes sociais, os seguidores de Bolsonaro estão convocando uma manifestação em apoio ao governo para o próximo dia 26. "Quero contar com a sociedade" é um chamamento em conjunto com as redes sociais bolsonaristas.

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E ocorre no mesmo momento em que o presidente se vê acossado por acusações contra seu filho senador, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O Ministério Público Federal pediu nesta semana o rompimento do sigilo do filho "Zero um" do presidente e seus funcionários quando deputado estadual.

Segundo os procuradores, Flávio montou um esquema de lavagem de dinheiro em seu gabinete no Rio de Janeiro e abocanhou parte dos salários dos funcionários. A famosa "rachadinha".

"Quebraram o sigilo bancário dele desde o ano passado e agora, para dar um verniz de legalidade, quebraram oficialmente o sigilo dele. Mais, se eu não me engano, 93 pessoas (…) O objetivo: querem me atingir", reagiu assim o presidente na quinta-feira (16) que soube da quebra de sigilo.

Tudo junto e misturado:

O filho acossado;
os bolsonaristas nas redes para convocar apoiadores em passeatas;
o presidente divulga texto em que se diz cercado pela "velha política";
e Bolsonaro chama os apoiadores –"Quero contar com a sociedade".
Foi mais ou menos o que fez o ex-presidente Fernando Collor de Mello quando seu irmão Pedro denunciou a corrupção do Palácio.

Collor pediu apoio da sociedade e rogou para que seus defensores fossem às ruas vestindo verde-e-amarelo.

O final da história todos sabem. As ruas vestiram-se de preto e o luto abriu alas para o impeachment.

Fonte: Uol

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