Política · Segurança

Bolsonaro põe em dúvida assassinato de líder indígena waiãpi em conflito no Amapá

Ao comentar pela primeira vez o caso da morte de um líder da etnia waiãpi no Amapá, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que "não tem nenhum indício forte" de que ele tenha sido assassinado.

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"Não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF está lá, quem nós pudermos mandar nós já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso ai", afirmou o presidente, ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta segunda-feira (29).

Indígenas da etnia waiãpi denunciaram o assassinato de um líder em meio a uma invasão de garimpeiros, no oeste do Amapá. A Funai (Fundação Nacional do Índio) já está na região, e a Polícia Federal enviou uma equipe para o local.

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A invasão ocorre em meio a seguidas declarações do presidente Bolsonaro de que pretende legalizar mineração e garimpos em terras indígenas, uma promessa de campanha. A mudança na legislação, no entanto, precisa do aval do Congresso.

De acordo com a denúncia à PF, feita com o apoio do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o assassinato de Emyra Waiãpi ocorreu na última quarta-feira (24), durante um ataque à aldeia Mariry. A Folha confirmou essas informações com pessoas da região.

Em nota, o Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina), informou que não houve testemunhas e que o corpo só foi encontrado no dia seguinte. Já os waiãpis afirmam que, na sexta-feira (26), indígenas da aldeia Yvytotõ encontraram não índios armados. “À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores”, diz o comunicado dos índios.

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Bolsonaro voltou a dizer que sua intenção é regulamentar o garimpo e autorizar a exploração de minérios dentro de território indígena.

"É intenção minha regulamentar garimpo, legalizar o garimpo. Inclusive para índio, que tem que ter o direito de explorar o garimpo na sua propriedade. Terra indígena é como se fosse propriedade dele. Lógico, ONGs de outros países não querem, querem que o índio continue preso num zoológico animal, como se fosse um ser humano pré-histórico", afirmou.

Na visão dele, as demarcações indígenas estão "inviabilizando o negócio" no Brasil.

"Está inviabilizando nosso negócio. O Brasil vive de commodities, daqui a pouco o homem do campo vai perder a paciência e vai cuidar da vida dele. Vai vender a terra, aplicar aqui ou lá fora, e cuidar da vida dele. a gente vai viver do quê? o que nós temos aqui além de commodities? Será que o pessoal não acorda para isso? se esse negócio quebrar todo mundo vai para o barro, acabou o Brasil.", disse.

Fonte: Folha

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