Política · Segurança

Instrutor de Adriano diz que ex-PM não se renderia e cogita ocasião extrema

O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega era um criminoso dotado de um conhecimento sem igual das técnicas policiais de tiro e não se renderia às autoridades. A análise é de Paulo Storani, antropólogo e capitão veterano do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Ele acompanhou o desempenho do ex-PM em um curso de tiro sob estresse do Bope, durante cerca de uma semana.

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O miliciano, apontado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) como chefe do Escritório do Crime, foi morto em 9 de fevereiro, em um sítio na zona rural da cidade de Esplanada, no interior da Bahia.

"Adriano não iria se entregar. Ele iria combater até o final. É a minha opinião", afirmou Storani, que lembra da técnica impecável do então aluno do Bope.

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"Ele foi o primeiro da classe. Desenvolvi uma metodologia de índice de avaliação dos alunos e o desempenho dele foi excepcional. Quando alguém assim se desvirtua para o mal, ele se torna pior e mais perigoso do que qualquer bandido comum."
Paulo Storani, capitão veterano do Bope/PM-RJ

A família e o advogado de Adriano afirmaram publicamente que sua morte foi resultado de uma "operação de queima de arquivo". Um perito contratado pela família concluiu que os tiros foram disparados à queima-roupa (curta distância).

O governador da Bahia, Rui Costa, e autoridades de segurança pública do estado rechaçaram a acusação.

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A hipótese de assassinato também foi defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro — quando era deputado estadual no Rio, o atual senador nomeou a ex-mulher e a mãe do ex-PM como funcionárias de seu gabinete. Para Storani, o miliciano dificilmente falaria algo mesmo capturado.

"Criminosos do nível de Adriano não abrem a boca. Ele nunca falaria tudo o que sabe. Pessoas como ele têm familiares no Rio de Janeiro que sofreriam as consequências de uma delação. Veja o caso do também ex-Bope, Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes, ou do José Dirceu, na Lava Jato. Não vai falar nada."
Paulo Storani, capitão veterano do Bope/PM-RJ

Com a ressalva de que não tem posse de todas as informações do procedimento dos policiais militares baianos, Storani opina que ação foi realizada dentro dos padrões da legalidade, mas ressalta a necessidade de uma análise definitiva.

Segundo o mestre de tiro da PM-RJ, em uma operação como a que matou o ex-capítão Adriano, o ideal é surpreender o alvo e capturá-lo antes de qualquer reação. Quando isso não é possível, estabelece-se um cerco. Se não houver reféns, a abordagem deve ser feita de forma mais rápida possível.

"Coloque-se no lugar de um PM da Bahia que participou da operação. Ele sabe que vai tentar prender alguém muito perigoso, altamente treinado. É uma situação extremamente estressante. Qualquer indicação de resistência pode resultar numa reação dos policiais."

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Foi aberto um inquérito policial na Bahia para apurar as circunstâncias da morte de Adriano. Depois de idas e vindas, e submetido a pelo menos dois exames cadavéricos adicionais, o corpo do miliciano foi enterrado no Rio, no último dia 21.

"Pessoas como Adriano, que são expulsas das forças de segurança, precisam ser monitoradas a partir do momento de seu expurgo, mesmo que elas não estejam presas. Pois elas se tornarão um problema, mais cedo ou mais tarde", afirma Storani.

Fonte: Uol

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