Pesquisa de professores inglêses afirma que Cloroquina pode fazer mal

Cloroquina pode prejudicar pacientes com Covid-19, afirmam professores ingleses
Editorial do "The British Medical Journal", referência mundial em publicações científicas, afirma que o uso da fórmula pode ser prematura
Por MÔNICA BERGAMO (FOLHAPRESS)
09/04/20 - 19h39
Um editorial publicado pelo "The British Medical Journal", referência mundial em publicações científicas, afirma que o uso de cloroquina e hidroxicloroquina pode ser prematuro e potencialmente prejudicial para pacientes diagnosticados com Covid-19.
"O amplo uso da hidroxicloroquina expõe alguns pacientes a danos raros, mas potencialmente fatais, incluindo reações adversas cutâneas graves, insuficiência hepática fulminante e arritmias ventriculares (principalmente quando prescritas com azitromicina)", afirma o artigo assinado pelo professor Robin Ferner, do Instituto de Ciências Clínicas da Universidade de Birmingham, e Jeffrey Aronson, do departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
A publicação afirma que, apesar de protagonistas políticos como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defenderem que não há riscos na administração das substâncias, nenhuma droga medicamentosa pode ser tida como segura. O texto ainda destaca que casos de overdose pela cloroquina podem ser de difícil tratamento.
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"Mesmo medicamentos inicialmente apoiados por evidências de eficácia podem, mais tarde, se provar mais prejudiciais do que benéficos", afirmam os acadêmicos. "Precisamos de melhores ensaios clínicos controlados, randomizados e com alimentação adequada de cloroquina ou hidroxicloroquina".
Segundo o artigo, atualmente há, pelo menos, 80 estudos sobre a administração da cloroquina, da hidroxicloroquina ou de ambos em andamento em todo o mundo, às vezes em combinação com outros medicamentos.
O uso da hidroxicloroquina virou um mantra de Jair Bolsonaro (sem partido). Sem citar dados de pesquisas, o presidente brasileiro defende o tratamento precoce com a droga.
Em pronunciamento na quarta-feira (8), Bolsonaro disse que "após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos quarenta dias a possibilidade do tratamento da doença desde a sua fase inicial".
"Há pouco conversei com o doutor Roberto Kalil. Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o Juramento de Hipócrates, ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina, bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos", afirmou o presidente.
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O medicamento virou alvo de uma disputa com Bolsonaro, que vem questionando o infectologista David Uip sobre se ele usou ou não a cloroquina no seu tratamento contra o coronavírus.
O governador de São Paulo, João Doria, afirmou na quarta (8) que recomendou na última semana ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a distribuição da cloroquina na rede pública do país. A afirmação fez com que o tucano fosse alvo de ataques, incluindo do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, que chamou o governador de canalha.
Entre os bolsonaristas, a atitude foi vista como se Doria tivesse tentado se apropriar da bandeira bolsonarista.
Nesta quinta, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou que a cidade de São Paulo adotou a cloroquina em seu protocolo de tratamento do coronavírus.
"Nossos hospitais municipais vão passar a administrar também a cloroquina. Temos hoje 6 mil cápsulas. Como cada paciente toma seis, já temos medicamento para tratar mil pessoas", disse Covas, em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, ao lado de Doria.
Fonte: O Tempo

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