Governo teme que aliados possam ter prisão determinada pelo STF

Palácio teme que STF determine prisões de aliados do presidente
NONE APRIL 27, 2020
O grande rumor no fim de semana em Brasília era de que o Supremo Tribunal Federal (STF) pode iniciar a semana colocando ainda mais lenha na fogueira da crise política em Brasília, determinando a prisão de aliados do presidente Jair Bolsonaro e dos filhos implicados no inquérito sigiloso aberto desde 2019 e relatado por Alexandre de Moraes que investiga uma rede de fake news tendo ministros da corte e familiares como alvos.
A queda de Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal evidenciou o desespero de Bolsonaro com o andamento do inquérito, mas deve ser pouco efetiva para conter tanto seu andamento quanto os vazamentos de suas conclusões até aqui.
No fim de semana já veio à tona que as investigações chegam muito perto de Carlos Bolsonaro. Isso gerou uma onda de boatos de que poderia haver o pedido de prisão do filho do presidente, para demonstrar de uma vez que os Poderes vão reagir firmemente a tentativas de controlar politicamente instituições como a PF.
Ao BR Político, integrantes do Supremo consideram remota essa possibilidade. Lembram que investigações como a Lava Jato, que acabaram atingindo pesos-pesados da política e levaram até um ex-presidente, Lula, à caeira, vieram em ondas de fora para dentro: primeiro caíram doleiros, depois ex-dirigentes e gerentes da Petrobrás, em seguida dirigentes de empreiteiras, em seguida seus sócios, publicitários e só então políticos de peso.
[bn1][/bn1]
Não deve ser diferente com a investigação que apura a existência do chamado gabinete do ódio e de redes integradas por “blogueiros de crachá”, como têm sido chamados assessores pagos com dinheiro público, em cargos comissionados no Executivo ou nos Legislativos federal e estaduais para destruir reputações, ameaçar e plantar fake news contra adversários e ex-aliados do presidente e expoentes dos outros Poderes.
A investigação já está bem avançada em identificar esses assessores e os empresários por trás do financiamento do esquema. Movimentos de mobilização de atos de rua, muitos deles ligados a parlamentares da base bolsonarista, e também alguns deputados, devem ser chamados a depor, ter conduções coercitivas e buscas e apreensão aprovadas ou mesmo ter prisões preventivas decretadas antes que se chegue ao núcleo duro do clã bolsonarista.
[bn2][/bn2]
Essas ações, que podem, sim, ser desencadeadas nos próximos dias ou semanas, serão combustível para esquentar as turbinas dos processos de impeachment contra Bolsonaro, bem como a pressão feita pelo decano do STF, Celso de Mello, para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se manifeste sobre o porquê de não dar seguimento a esses pedidos.
Ainda nesta semana, o ministro Gilmar Mendes deve negar liminar ao pedido de Eduardo Bolsonaro para que seja impedida a prorrogação da CPMI das Fake News, que apura fatos correlatos aos do inquérito do Supremo.
Mello também deve dar os primeiros andamentos ao inquérito aberto a partir das declarações de Sérgio Moro.
A movimentação do ex-ministro também será vital para que se sinta o pulso do impeachment: caso se recolha, aliados de Bolsonaro acreditam que ele ganhará tempo para tentar se rearticular politicamente. Mas, para isso, advogam que o gabinete do ódio recue da disposição de destruir a reputação do ex-juiz. “O Moro é de briga. Se tentarem destruir a imagem dele, que foi só o que restou para ele, não vai sobrar outra opção a não ser ele vestir a capa de novo e partir para destruir o presidente”, me disse um auxiliar próximo de Bolsonaro.
[bn2][/bn2]
Da mesma forma, existe um temor de que a escalada de casos do novo coronavírus galvanize na sociedade a avaliação de que Bolsonaro foi negligente com o combate à emergência de saúde pública e preferiu criar novas turbulências políticas e institucionais, demitindo Luiz Mandetta e forçando a saída de Moro, se aproximando do Centrão e incitando atos de cunho golpista.
Isso favoreceria um consenso, incluindo empresários, no sentido de que o presidente pode ser um fator de agravamento da emergência sanitária, social e econômica que o Brasil vai enfrentar. Por conta disso, Bolsonaro está sendo aconselhado a maneirar nas críticas ao isolamento social, à OMS e aos governadores, já que a aceleração do número de mortos e de contaminados aumentará a sensação de colapso do sistema de saúde.
Por fim, ainda são muito comuns os relatos de quem não conseguiu obter acesso à ajuda emergencial de R$ 600 aprovada há quase um mês pelo Congresso, o que ajuda a recrudescer a revolta social com o presidente e os panelaços diários contra ele.
Fonte: BRPolítico

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.