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Delator conta como Witzel teria sido definido candidato a governador de grupo supostamente criminoso

O governador afastado Wilson Witzel teria sido cooptado, antes das eleições de 2018, para se tornar “o novo rosto” de uma organização criminosa acusada de aparelhar o estado para desviar cerca de R$ 50 milhões em contratos, segundo o Ministério Público Federal (MPF). A história de como a candidatura do então juiz federal foi supostamente orquestrada pela quadrilha é contada num depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF) pelo empresário Edson Torres, apontado como operador financeiro do grupo.
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Segundo Torres, o grupo teria se infiltrado na política fluminense no fim dos anos 1990. A quadrilha também teria participado da campanha de Sérgio Cabral, mas foi supostamente traída pelo ex-governador, que, de acordo com o delator, não cumpriu acordos. Após um período de afastamento do Palácio Guanabara, a organização, diz o MPF, usou seu poder econômico para fazer de Witzel o novo governador do Estado do Rio.

Em seu depoimento, Torres contou que, anos após perder negócios com o estado, conseguiu contratos com o o Hospital Universitário Pedro Ernesto. Foi nesse período que teria conhecido o futuro secretário de Saúde de Witzel, Edmar Santos. Ele era o diretor da unidade e recebia 10% do valor pago para a empresa Magna e 15% do total repassado à Verde, prestadoras de serviços que pertenciam a Torres. O próprio Edmar confirmou isso, em delação premiada.

Com o avanço da Operação Lava Jato no Rio e a desarticulação da quadrilha chefiada por Cabral, velhos atores de esquemas de corrupção se mobilizaram para voltar ao poder. Para essa empreitada, teriam escolhido Witzel, no primeiro semestre de 2017.
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Registro em celular

Torres disse a procuradores que foi convidado pelo Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC, a participar de uma reunião com Witzel na sede do partido, no Centro. Um registro extraído do celular do então juiz, anexado à denúncia do MPF, mostra que o encontro ocorreu em 10 de abril de 2017. Após a conversa, Torres e Everaldo teriam percebido a necessidade de “dar um conforto e segurança financeira” para Witzel, caso ele abrisse mão da magistratura e perdesse as eleições.

Torres acrescentou que, em conversa com seu grupo, ficou decidido que Witzel receberia R$ 1 milhão para se manter por dois anos, se saísse derrotado das urnas. O montante efetivamente pago, segundo ele, foi R$ 980 mil, em espécie. A entrega teria sido feita em parcelas, e Torres afirmou que, para a quitação da última, teve um encontro com Witzel e Everaldo numa sala comercial do Centro. Ele disse que o futuro governador levou uma bolsa, na qual teria colocado maços de R$ 50 mil.
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Viagem suspeita

Witzel teria continuado a receber propina do grupo após eleito. Além de dar dinheiro a autoridades, a organização criminosa usava uma agência de turismo para fazer agrados a políticos. Witzel e a família embarcaram para a Disney no último réveillon, viagem que é investigada pelo MPF.

O que dizem os citados

O governador afastado, Wilson Witzel, se posicionou por meio de nota:

"Mais uma vez, trata-se de um vazamento de processo sigiloso para me atingir politicamente. Reafirmo minha idoneidade e desafio quem quer que seja a comprovar um centavo que não esteja declarado no meu Imposto de Renda, fruto do meu trabalho e compatível com a minha realidade financeira. Todo o meu patrimônio se resume à minha casa, no Grajaú, não tendo qualquer sinal exterior de riqueza que minimamente possa corroborar essa mentira. O único dinheiro ilícito encontrado, até agora, estava com o ex-secretário Edmar Santos."
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A defesa do Pastor Everaldo também emitiu uma nota:

"A defesa do Pastor Everaldo esclarece que, desde o dia 28 de agosto, vem solicitando reiteradas vezes acesso à íntegra da investigação e da delação que embasaram a prisão, considerada desnecessária, uma vez que o Pastor sempre esteve à disposição das autoridades. No entanto, até o momento, a defesa não obteve êxito, razão pela qual não comentará vazamentos parciais de processo que corre em segredo de Justiça. O Pastor Everaldo reitera sua confiança na Justiça e na sua libertação".

Edmar Santos afirmou que não se manifesta sobre casos sob seu patrocínio.

Os demais citados não se pronunciaram.

Fonte: Extra Globo

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