Imprensa europeia detona Bolsonaro: ´´Cínico, incapaz de apresentar um plano``

“O governo brasileiro é incapaz de apresentar um plano de vacinação”, diz nesta segunda-feira o Le Figaro, principal jornal conservador da França.
“Não foi anunciada nenhuma data de início de operações ou detalhe sobre os meios à disposição a fim de atingir o objetivo de vacinar 70% da população”, observa o jornal parisiense.
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“Segundo país mais atingido depois dos Estados Unidos, o país sul-americano havia publicado no dia 12 seu plano de vacinação, o qual possuía graves omissões, dentre as quais a data de início e os detalhes sobre os meios disponibilizados”.

“O presidente de extrema direita garantiu que não pretende se vacinar”.
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De modo mais abrangente, a rádio France Culture diz que “a pandemia revela os piores aspectos de Jair Bolsonaro”.
“Eu peço desculpas”, disse no domingo um apresentador, constrangido antes de citar Bolsonaro: “que disse que o Brasil precisa parar de ser um país de ‘maricas’”.

Não só a França é interpelada pelo obstáculo bolsonarista à gestão da pandemia.
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Na Espanha, o jornal La Vanguardia afirma que “o Brasil precisa mais do que ninguém de uma vacina”, dada a sua população e sua posição na América Latina em número de casos de Covid-19.
“Com 200 milhões de habitantes, número um regional em contágios, registrou 36 vezes mais mortos do que a China, apesar de ter uma população sete vezes menor. Mas os conhecidos receios do presidente Jair Bolsonaro diante de tudo que é chinês começa a complicar o programa de vacinação brasileiro”, diz o jornal de Barcelona.
“Feita em colaboração com o prestigiado Instituto Butantan de São Paulo, um dos maiores fabricantes de vacina do Brasil, a Coronavac é considerada uma excelente opção por países em desenvolvimento. É muito mais barata do que a vacina da Pfizer, que já opera no Reino Unido, e não precisa ser armazenada em temperaturas tão baixas”, compara.
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“A Sinovac foi escolhida por países como Argentina, Indonésia e Turquia. O mesmo ocorreu com a Sinopharm, que com uma taxa de efetividade de 86% foi adquirida por Peru, Argentina, Marrocos e Egito”.
“Poucos acreditam que a Anvisa é imune ao contágio político”, afirma. “É inegável que o Brasil já está atrasado diante de outros países latinoamericanos na implementação de um programa de vacinaçao”, observa o periódico.

No Reino Unido, o jornal The Guardian diz em reportagem do correspondente Tom Phillips que o governo brasileiro tem sido “lerdo” em explicar à população como vai vaciná-la.
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“Cinismo”
O presidente brasileiro também é criticado na mídia europeia pela persistência da tragédia ambiental.
“Na Amazônia, o duplo jogo cínico de Jair Bolsonaro”, diz o jornal francês Ouest France, maior jornal regional do país.
“O presidente brasileiro de extrema direita ameaçou revelar quais países importam madeira oriunda de desmatamento, quando ele mesmo estimula essa prática”.
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“Leal defensor da agroindústria, seu governo reduziu drasticamente desde fevereiro a fiscalização sobre a origem da madeira exportada”, afirma o artigo de Magalie Letissier desta segunda-feira.
Ela observa que depois de ameaçar revelar os países que importam madeira ilegalmente desmatada o presidente Bolsonaro recuou, dizendo que quer na verdade a ajuda deles para combater o desmatamento. “Porque ele está sob pressão. E ainda mais com a eleição de Joe Biden face a seu ex-aliado Donald Trump. Biden, que durante a campanha, prometeu consequências econômicas em caso de inação diante do desmatamento”.
Fonte: DCM

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