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Vídeo: Praia do Rio fica coberta por ´´tsunami de plástico``, com repercussão mundial

As fortes chuvas de sábado revelaram uma triste realidade na Praia de São Conrado, no Rio de Janeiro. Uma enorme quantidade de lixo ficou acumulada na areia e foi levada pelo mar, aumentando a poluição do meio ambiente. As cenas foram registradas pelo Instituto Mar Urbano e repercutiram mundialmente. Kelly Slater, surfista que já foi campeão mundial 11 vezes, compartilhou as imagens no Instagram.

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Ricardo Gomes, diretor do Instituto, filmou o lixo acumulado. Ele fez uma transmissão ao vivo para mostrar as garrafas de plástico e outros objetos, como bolas e bonecas. Durante a filmagem, depois de dizer que "o oceano está chamando", ele ouviu uma onda muito forte, com um barulho alto, causado pelo impacto da água e do lixo em uma pedra da praia. No vídeo ele disse que era um "tsunami de plástico". Hoje comentou que ficou impressionado com o que aconteceu.

"Pego onda no Rio de Janeiro há 40 anos. Nunca vi a água bater na pedra daquele jeito. Eu virei por causa do barulho. Esse é o chamado do oceano que a gente tem que começar a entender. A gente depende do oceano vivo para sobreviver. Essa onda foi o chamado do oceano. A gente tem que mudar nossos hábitos", pediu Ricardo, que recomenda a diminuição do uso do plástico no dia a dia.

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Porém, a pandemia de covid-19 aumentou o uso do plástico, já que cresceu o serviço de delivery. E consequentemente as embalagens usadas para transportar a comida foram parar no mar. "O que mais tinha ali eram pedaços de embalagem de comida, de isopor", relatou Ricardo.

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Além de a população reduzir o uso do plástico, Ricardo acredita que o Estado deveria tomar 3 iniciativas para diminuir a poluição nos oceanos.
"A primeira é a criação de uma legislação federal sobre o assunto. A segunda é aumentar oferta de produtos e embalagens sem plástico. E a terceira é a criação de zonas livres de plástico, como em Arraial do Cabo e Fernando de Noronha, onde não pode ter embalagens de plástico. Fica proibido", explicou Ricardo, que citou ainda a "dupla tributação" do plástico reciclado como outro empecilho que deveria ser combatido.

De acordo com o relatório "Um Oceano Livre de Plástico", feito pela Oceana Brasil, o Brasil polui o mar com cerca de 325 mil toneladas de plástico. E ainda de acordo com esse estudo, 80% do lixo que chega no oceano tem origem em terra firme, seja por descarte direto ou indireto.

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Tanta poluição gera problemas imediatos para os animais. Depois da chuva, aves marinhas vão buscar alimentos perto da praia, ingerem plástico e morrem por problemas com a alimentação.

"Aves marinhas e outros animais não sabem identificar o que é plástico e o que é alimento de verdade. Elas ingerem o plástico e tem obstrução no trato digestivo. Animal tem falsa sensação de saciedade, mas não está cheio de alimento. Está cheio de plástico. E acabam morrendo por inanição", explica Ricardo.

O que aconteceu depois da repercussão?

Ricardo relatou que, um dia depois do vídeo começar a circular, a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) fez um serviço de limpeza na Praia de São Conrado, mas não conseguiu retirar objetos que já estavam próximos ao mar.

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"A Conlurb entrou com um trator, o que pode ter sido reflexo da divulgação do video. Mas ela é muito eficiente nisso. Só que a gente gera muito lixo. A gente tem que fazer nossa parte, porque não tem Comlurb que dê conta", analisou Ricardo.

Nina, filha de Ricardo, costuma participar com o pai da limpeza nas praias. Ontem ela posou para uma foto ao lado do lixo no mar, com uma mensagem inscrita "SOS", representando o pedido de salvação feito pelas águas.

Fonte: UOL

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