Política

Reunião do Conselho da Petrobrás foi em clima tenso, com divisão dos membros a respeito das ordens de Bolsonaro

RIO - A reunião do Conselho de Administração da Petrobras que avalia, entre outros temas, a troca de comando na estatal decidida pelo presidente Jair Bolsonaro, transcorre sob um clima tenso. O encontro, que é realizado de forma virtual por causa da pandemia, começou às 8h30, e logo se estabeleceu uma divisão entre os 11 conselheiros em três grupos.

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Esses grupos são: a ala militar, com dois membros; os outros cinco indicados pela União, incluindo o atual presidente da companhia, Roberto Castello Branco; o grupo de três conselheiros independentes, que representam acionistas minoritários; e a representante dos funcionários.

Há opiniões distintas entre os representantes civis do governo: embora sejam contra a substituição de Roberto Castello Branco, não querem ficar mal vistos pelo governo que os escolheu e tem poder para, em última instância, substitui-los para fazer valer sua vontade.

Castello Branco mostrou indignação com a forma como vem sendo tratado publicamente por Bolsonaro, e recebeu apoio de quase todos os conselheiros. Ele disse que vai falar ao mercado durante a apresentação dos resultados da empresa em 2020, marcada para a manhã de quinta-feira.

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Já a ala militar encontrou uma improvável concordância na representante dos funcionários: querem a saída de Castello Branco. No entanto, as motivações são diferentes, que vão da pressão do governo federal à política de preços de combustíveis e o plano de venda de ativos, como refinarias.

Segundo uma fonte, os conselheiros mostram preocupação em aprovar a realização da Assembleia Geral Extraordinária para aprovar a nomeação do general Joaquim Silva e Luna para o lugar de Castello Branco.

Eles temem que essa decisão crie um “precedente” que possam levá-los a serem processados por investidores. A intervenção de Bolsonaro resultou em uma queda de mais de 20% no valor das ações na segunda-feira.

Durante a reunião, os conselheiros têm acesso a notícias e movimentações em Brasília, como a iniciativa do Ministério Público junto ao TCU de pedir que o conselho se abstenha de decidir sobre a troca de comando na Petrobras até que a Corte de contas se pronuncie sobre os sinais de interferência de Bolsonaro.

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O nome do general Joaquim Silva e Luna já está sendo apreciado pelos Comitês de Pessoas e Auditoria da estatal. Conselheiros já ressaltaram que querem ter acesso ao currículo oficial do indicado.

A ideia é averiguar se ele tem experiência de dez anos de liderança e quatro anos de exercício de cargo diretivo, como requer a Lei das Estatais e o estatuto da Petrobras, que foram reformados após o escândalo da Operação Lava-Jato.

Veja quem é quem no conselho

Eduardo Bacellar Leal Ferreira

É o presidente do Conselho de Administração da Petrobras, eleito pelo acionista controlador. É almirante de Esquadra da Reserva e foi comandante da Marinha do Brasil até janeiro de 2019, tendo, portanto, chegado ao topo de sua carreira. Entre os cargos que exerceu estão o de capitão dos Portos do Rio de Janeiro e diretor de Portos e Costas, quando teve a oportunidade de aprofundar ligações com as atividades offshore ligadas à indústria do petróleo Indicado pelo governo, que é o acionista controlador da companhia.

Roberto da Cunha Castello Branco

Doutor em Economia pela Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e com pós-doutorado em Economia pela Universidade de Chicago, Roberto Castello Branco foi indicado pelo governo e assumiu a presidência da Petrobras em janeiro de 2019. Desde então, faz parte do Conselho de Administração da petroleira. É amigo do ministro da Economia, Paulo Guedes.

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João Cox Neto

Eleito pelo governo, João Cox é economista com especialização em economia petroquímica pela Universidade de Oxford, Reino Unido. Foi presidente da Telemig Celular e presidente da Claro. Cox possui vasta experiência como membro do Conselho de Administração de diversas companhias, como Embraer, Linx, Qualicorp, Braskem - onde é vice-presidente do Conselho de Administração - e Vivara, onde é presidente do Conselho.

Omar Carneiro da Cunha Sobrinho

Foi CEO de várias empresas, incluindo Shell Brasil, AT&T Brasil e Varig. Também é membro do Conselho de Administração do Grupo Energisa e da Brookfield. É formado em Economia pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro e possui pós-graduação em Administração Financeira pela FGV. Foi eleito pelo governo.

Ruy Flaks Schneider

Eleito pelo acionista controlador, Ruy Schneider é engenheiro industrial mecânico e de produção formado pela PUC-RIO. Oficial da reserva da Marinha, cursou a Escola Superior de Guerra. Acumula vasta experiência tanto como executivo quanto como membro de Conselhos de Administração e Fiscal de grandes empresas, entre elas a Xerox do Brasil, Banco Brascan, Banco de Montreal, Grupo Multiplan e INB Indústrias Nucleares do Brasil.

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Paulo Cesar de Souza e Silva

É formado em Ciências Econômicas pela Universidade Mackenzie e com MBA pela Universidade de Lausanne, Suíça. É membro independente dos Conselhos de Administração da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e do Grupo Águia Branca. Nos últimos anos, foi CEO da Embraer, onde atuou por mais de 20 anos.Eleito pelo acionista controlador.

Nívio Ziviani

É engenheiro mecânico pela UFMG, mestre em informática pela PUC-RJ e Ph.D. em Ciência da Computação pela Universidade de Waterloo, Canadá. Especialista em tecnologia da informação, é professor emérito do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. Como empreendedor, fundou várias empresas, como Kunumi (2016), Neemu (2010), Akwan (2000) e Miner (1998). Eleito pelo governo.

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Marcelo Mesquita de Siqueira Filho

É sócio fundador da Leblon Equities, gestora de recursos focada em ações brasileiras criada em 2008 e cogestor de fundos de ações e private equity. Antes disso, trabalhou por 10 anos no UBS Pactual e sete anos no Banco Garantia. É graduado em economia pela PUC-RJ, em Estudos Franceses pela Universidade de Nancy II e OPM pela Harvard Business School. É membro do Conselho de Administração da Petrobras desde 2016, eleito pelos acionistas minoritários.

Rodrigo de Mesquita Pereira

Eleito pelos minoritários, Rodrigo de Mesquita Pereira é bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da USP e pós-graduado em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Foi conselheiro fiscal na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e membro suplente do Conselho Fiscal da Petrobras.

Leonardo Pietro Antonelli

Leonardo Pietro Antonelli é advogado, sócio-fundador do escritório Antonelli Advogados, graduado e mestre em direito econômico pela UCAM. Dirigiu a Escola da Magistratura Eleitoral durante os biênios em que integrou o Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, no cargo de desembargador federal. Foi eleito conselheiro pelos acionistas minoritários.

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Rosangela Buzanelli Torres

Foi eleita conselheira em primeiro turno na eleição realizada pelos empregados da Petrobras em 2020. É graduada em Geociências e Engenharia pela Universidade Federal de Ouro Preto e tem mestrado em Geociências pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ingressou na Petrobras em 1987. Atualmente, atua na área de operação exploratória marítima de águas profundas.

Fonte: O Globo

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