Kit-covid, recomendado por Bolsonaro, pode ter matado pelo menos 3 pessoas e outras estão na fila do transplante de fígado, sendo saudáveis antes

Os efeitos do chamado “kit covid” bolsonarista propagandeado por Jair Bolsonaro e o general-ministro Eduardo Pazuello começam a se fazer sentir. O kit de Bolsonaro-Pazuello é apontado como causa de mortes e destruição do fígado de pacientes. De acordo com médicos ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo, três pessoas morreram por hepatite em São Paulo, uma em Porto Alegre e cinco estão na fila do transplante de fígado, também em São Paulo.
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Hemorragias, insuficiência renal e arritmias também estão sendo observadas por profissionais de saúde entre pessoas que fizeram uso desse grupo de drogas, que incluem hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina e anticoagulantes. Um dos remédios com efeitos mais nefastos é a ivermectina.
Números do Conselho Federal de Farmácia (CFF) mostram que o total de unidades vendidas de ivermectina, por exemplo, subiu 557% em 2020 em comparação com 2019, sendo dezembro o mês recordista de vendas da droga. O remédio, indicado para tratar sarna e piolho, não teve sua eficácia contra a covid comprovada. Seu uso contra o coronavírus foi desaconselhado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e pelo próprio fabricante do produto, a Merck.
O produto é um dos que foram utilizados pelos cinco pacientes que entraram na fila de transplante de fígado. Todos eles haviam tido, semanas antes, diagnóstico de covid e receberam a prescrição do chamado “tratamento precoce”.
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Quatro deles foram atendidos no Hospital das Clínicas da USP e o outro no HC da Unicamp. “Eles chegam com pele amarelada e com histórico de uso de ivermectina e antibióticos. Quando fazemos os exames no fígado, vemos lesões compatíveis com hepatite medicamentosa. Vemos que esses remédios destruíram os dutos biliares, que é por onde a bile passa para ser eliminada no intestino”, disse Luiz Carneiro D’Albuquerque, chefe de transplantes de órgãos abdominais do HC-USP e professor da universidade ao Estadão. “O nível normal de bilirrubina é de 0,8 a 1. Um dos pacientes está com mais de 40”, informou ele.
D’Albuquerque conta que, dos quatro pacientes colocados na fila do transplante no HC, dois tiveram doença aguda e morreram antes da operação.
Aas biópsias do fígado desses pacientes evidenciam que os casos são de origem medicamentosa e não complicações do próprio coronavírus. “A covid pode atacar o órgão, mas de uma forma diferente. Ela causa pequenos trombos (coágulos) nos vasos. Esse padrão que encontramos é de lesão por medicamentos”, disse Ilka Boin, professora da Unidade de Transplantes Hepáticos do Hospital das Clínicas da Unicamp.
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Além de duas mortes de pacientes em São Paulo, um óbito por doença hepática aguda foi registrado em uma unidade particular de Porto Alegre, relata a neurologista Verena Subtil Viuniski: “Era um paciente com quadro psiquiátrico que estava agitado e confuso e marcou um encaixe no ambulatório. As enzimas do fígado estavam 30 vezes mais altas do que o normal. Dez dias antes, ele tinha tido covid e tomado remédios do kit.”
Fonte: Brasil 247

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