Política · Justiça

Ministros do STF e partidos entendem que Bolsonaro deseja crise militar para tentar autogolpe, mas não terá sucesso

Uma análise sobre a crise militar provocada pelo presidente Jair Bolsonaro com a demissão do general Fernando Azevedo e Silva do Ministério da Defesa aponta para uma tentativa de provocar anarquia militar e tentar, mais à frente, um autogolpe.

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Ela circula entre partidos de oposição e é compartilhada por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Magistrados acreditam que Bolsonaro está provocando uma confusão na área militar e pode, mais tarde, diante de uma situação de crise aguda, apelar para o apoio de policiais militares nos estados —que integram a base bolsonarista ou, em alguns locais, são açulados por ela.

Nesta terça (30), os chefes das Forças Armadas se demitiram em protesto contra Bolsonaro, na sequência da exoneração de Azevedo e Silva.

"O presidente está jogando no quanto pior, melhor. Ele tenta levar o país para o caos para, a partir dele, tentar dar um golpe de estado. Desestabiliza as PMs, joga na crise social", afirma o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que participa das discussões sobre o quadro geral da crise.

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Um autogolpe, no entanto, dificilmente seria concretizado já que Bolsonaro não teria apoio de empresários, de setores da mídia, do conjunto das Forças Armadas nem respaldo internacional.

O texto distribuído para parlamentares de oposição diz que é preciso cautela na avaliação sobre o que ocorre neste momento nas Forças Armadas.

"Toda a lambança de Bolsonaro é porque ele não tem os comandos em mãos. E nós [oposição] não podemos jogá-los no colo dele", afirma a mensagem.

Ela detalha como seria a tentativa de quebra de hierarquia em curso disparada pelo presidente da República.

Diz que a substituição do general Edson Leal Pujol no comando do Exército "não é fácil para Bolsonaro", já que o preferido dele para o cargo, Marco Antônio Freire Gomes, hoje no comando do Nordeste, não é o mais antigo na linha de sucessão.

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Como mostrou a Folha, o mais longevo, depois da saída de Pujol, será José Luiz Freitas (Operações Terrestres), que irá à reserva em agosto.

O segundo mais antigo é o chefe do Estado-Maior, o número dois da hierarquia, Marco Antônio Amaro dos Santos. Ele trabalhou com Dilma Rousseff (PT), o que dificulta suas chances.

O terceiro, Paulo Sérgio (Diretoria de Pessoal, que cuida da saúde dos fardados), caiu em desgraça com Bolsonaro. Ele concedeu uma entrevista ao jornal Correio Braziliense elencando as medidas restritivas que fizeram o Exército ter um índice de contaminação muito menor do que o da população. Elogiou isolamento social e uso de máscaras –o oposto de tudo o que é pregado pelo presidente.

Laerte Souza Santos (Comando Logístico) é o próximo da lista, mas era chefe do general Eugênio Pacelli, que perdeu o cargo após ter portarias de controle de armas derrubadas por ordem de Bolsonaro.

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Só então viria o comandante do Nordeste, Marco Antônio Freire Gomes

"Os militares não gostam quando os mais jovens ultrapassam no comando os mais velhos. Não está fácil para Bolsonaro", diz ainda a análise feita a partidos de oposição.

A nomeação de um militar mais jovem, no entanto, não seria inédita. Outros comandantes foram, no passado, escolhidos na mesma condição.

Fonte: Folha de São Paulo

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