Política · Economia

Briga entre Guedes e Marinho pega fogo. Reeleição de Bolsonaro e orçamento são o estopim da bomba entre eles

Elaborado com o objetivo de consolidar o centrão na base aliada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e, assim, ajudar em seus planos para a reeleição, o Orçamento de 2021 aprovado no Congresso Nacional reacendeu uma "guerra" entre os ministros da Economia, Paulo Guedes, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

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Em detrimento das despesas obrigatórias, o Orçamento deste ano conta com mais recursos a emendas parlamentares do que a equipe econômica diz considerar possível. Agora, Paulo Guedes tenta reverter até cerca de R$ 30 bilhões destinados a emendas para o pagamento desses gastos.

Ainda não há, no entanto, consenso com os parlamentares. Muito menos com Rogério Marinho, um dos principais fiadores para a destinação de verbas vinculadas aos senadores e deputados federais. Nos últimos meses, Marinho tem sido um articulador direto entre Bolsonaro e os congressistas, além de ser figura carimbada ao lado do presidente em viagens Brasil afora.

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Chumbo trocado

Segundo um auxiliar direto de Guedes, Marinho tenta fazer um "milagre da multiplicação" no Orçamento e continua querendo incentivar o presidente a desrespeitar o mecanismo do teto de gastos. Membros da equipe econômica atribuem a Marinho parte da articulação que inflou as emendas parlamentares no Orçamento de 2021.

A ação de incrementar o montante de emendas parlamentares foi vista como um aceno de Bolsonaro ao centrão — grupo informal de partidos que compõe a base do governo no Congresso em troca de mais verbas e espaço na administração pública — para ajudar sua tentativa de reeleição em 2022. Isso porque as obras a serem tocadas com esse Orçamento serão as vitrines para os políticos em suas bases eleitorais nos estados.

Bolsonaro sabe da importância do Orçamento para sua base e, inclusive, a reforma ministerial promovida na semana passada também foi no sentido de agradá-la. Isso se mostrou, especialmente, na designação da deputada Flávia Arruda (PL-DF) à Secretaria de Governo, pasta responsável pela articulação política entre Planalto e Congresso.

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Aliados de Marinho, por sua vez, afirmam que o ministro estava de férias na semana de aprovação do Orçamento, e que Guedes "não consegue cumprir seus acordos e depois coloca a culpa nos outros".

Apesar das reclamações da equipe econômica, aliados de Bolsonaro afirmam que o Orçamento de 2021 foi elaborado com a ajuda de Paulo Guedes e líderes do governo no Congresso. Há quem ressalte que, por ainda ser um fiador importante para o mercado financeiro, Guedes posa de "bom moço", que quer defender a responsabilidade fiscal, enquanto o Congresso fica com a imagem de "mau", que quer abocanhar o Orçamento para si.

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Briga não é de hoje

Em outubro do ano passado, Guedes chegou a verbalizar seu incômodo com Marinho e afirmou que o ministro era "despreparado, desleal e fura-teto".

Um pouco antes, já nas discussões sobre o Orçamento, houve impasse entre o uso de recursos de precatórios para financiar o Bolsa Família e recursos do Fundeb (fundo para financiar a educação básica).

Na época, quando a alternativa foi ventilada, alguns auxiliares de Guedes afirmaram que a ideia veio de lideranças partidárias e contava com o apoio do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Outros assessores disseram que foi uma sugestão vinda diretamente do ministro do Desenvolvimento Regional. Na ocasião, a assessoria de Rogério Marinho negou oficialmente a participação do ministro na discussão.

Auxiliares dizem que os dois ministros tinham um excelente relacionamento enquanto Marinho era subordinado a Guedes. Mas a relação teria azedado após o ex-secretário virar ministro e acabar "traindo" a agenda reformista. O sentimento de Guedes pelo colega de Esplanada virou "mágoa", com sinais cada vez maiores de irritação.

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Flávia Arruda busca saída

Flávia Arruda, quando presidente da Comissão Mista de Orçamento, foi uma das principais responsáveis por articular o Orçamento de 2021. Agora, está tendo de se equilibrar entre agradar o governo e o centrão, do qual ela própria faz parte.

Seu objetivo é encontrar uma saída que preserve Bolsonaro política e juridicamente por meio de um veto parcial. Um projeto de lei posterior é discutido para recompor eventuais áreas. O presidente tem até 22 de abril para sancionar o texto.

No fogo cruzado entre os ministros e na tentativa de se chegar a meio-termo, surgiu ainda o risco de Bolsonaro ser acusado por crime de responsabilidade se alguma manobra for feita à margem da lei.

Ontem, Arruda passou horas reunida com técnicos do governo no Planalto para não deixar o presidente exposto. Para tanto, também conversa com integrantes do TCU (Tribunal de Contas da União), segundo apurou o UOL.

Em conversa promovida pela XP também ontem, Guedes negou que haja brigas e desentendimentos com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos líderes do centrão e padrinho da indicação de Flávia. Segundo o ministro, o problema "é de coordenação do Orçamento". Ele ainda acrescentou que "outros ministros conversam com o relator, com o presidente".

Fonte: UOL

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