Randolfe Rodrigues diz que a CPI da Pandemia é a CPI mais importante desse século

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, que vai investigar as ações do governo federal na pandemia, se tornou o fato mais comentado na política nacional das últimas semanas. Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento que pediu a instalação da comissão, a relevância vai além, e esta será a CPI mais importante "deste século".
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O senador foi o convidado do último episódio do podcast EXAME Política, disponível todas as sextas-feiras
Na entrevista, Randolfe falou sobre a decisão do Senado em começar a CPI -- mesmo com outros temas do Congresso atrasados, como a liberação do auxílio emergencial --, as expectativas para a eleição do colegiado da comissão e o papel do Congresso na crise da covid.
"Esses 11 colegas têm de ter compreensão da sua tarefa histórica. Essa é a CPI mais importante deste século, e eu diria, a mais importante da história do Congresso Nacional", disse.
"Nenhuma CPI na história do Congresso Nacional tratou de preservar vidas e apurar responsabilidade por mortes. Esta apurará."
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Eleição do colegiado
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco disse hoje que a CPI pode ser instalada nos dias 22 ou 27. Na entrevista, Rodrigues defendeu o início imediato da CPI, afirmando que hoje ainda entraria em contato com Pacheco para defender que se faça na próxima terça-feira, 22, a escolha do presidente, vice-presidente e relator.
O senador aponta que as condições para a abertura da CPI estão dadas, como o fato determinado para investigação, as "ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia", nas palavras de Rodrigues, e as 27 assinaturas de senadores (foram obtidas 34).
Após a conversa com a EXAME, os membros da CPI chegaram a um acordo para que o colegiado seja presidido por um senador do Amazonas, Omar Aziz (PSD-AM), tendo Randolfe como vice-presidente. A relatoria caberia ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), visto como desafeto do governo federal. Os nomes ainda precisarão ser confirmados pelos membros da comissão na semana que vem.
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Questionado sobre uma possível pressão do presidente Jair Bolsonaro para que o colegiado fosse composto de nomes favoráveis ao governo, Rodrigues disse que confia nos membros da comissão. "Eu quero ter confiança nos 11 colegas membros da CPI. Não é o governo que vai ter que dizer quem será o presidente da CPI", disse.
Outra polêmica relacionada à comissão é a inclusão de governadores nos debates da CPI, uma sabida demanda do presidente Bolsonaro. Rodrigues avalia que poderão ser investigados fatos classificados como "conexos" em relação a ação do governo federal.
"Por exemplo, considero que é inevitável ouvir o governo do estado do Amazonas, sobre a circustância de agravamento da pandemia lá. O que for fato conexo não tem nenhuma incompatibilidade", disse. Mas afirmou que é preciso ter "foco". "Tem muita provocação para que a gente saia do foco das respostas que os brasileiros querem."
Sobre a responsabilização de indivíduos como resultado das investigações futuras da CPI, o senador disse que a análise caberá à Justiça, como o Ministério Público e tribunais, nacionais e internacionais. "CPI é para apurar fatos, não é para investigar pessoas", disse. "CPI não vai caçar ninguém."
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Economia na CPI?
Pesquisa EXAME/IDEIA feita no fim de março mostrou que 71% dos brasileiros eram favoráveis à instalação da CPI. Para Randolfe, a comissão não atrapalha os outros trabalhos do Congresso, uma vez que funcionará somente com 11 membros e sem que interrompa as votações no plenário.
Sobre se gastar energia em uma investigação como a CPI atrasaria a liberação do auxílio emergencial ou crédito a pequenas empresas, Randolfe disse que a própria demora na discussão do tema pelo governo e a pauta econômica na pandemia devem ser escopos da CPI.
"Por que o governo interrompeu o auxílio emergencial no dia 31 de dezembro? De quem foi a ideia "genial" de achar que o vírus ia embora na virada do ano? E de uma hora para a outra encerrar o auxílio emergencial ali?", questionou. "A política econômica do enfrentamento da pandemia acredito que deve ser um dos elementos a serem investigados."
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"Eu estou convecido de que a CPI é uma possibilidade, é uma oportunidade, de o Congresso Nacional recuperar muito de sua credibilidade", disse. "Ela tem um papel histórico. Agora, a história tem a porta de entrada da honra e a porta de entrada da desonra", disse Rodrigues, afirmando que "os colegas senadores têm e estar conscientes desse seu papel."
"Quanto maior a renda e escolaridade, maior o grau de suporte [à CPI]", avalia Maurício Moura, fundador do IDEIA e que coordenou a pesquisa de opinião sobre o tema. "Há um sentimento de que o poder público poderia ter feito mais na gestão da pandemia no Brasil."
Fonte: Exame

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