Política · Segurança

Atividades da TV Record são suspensas pelo governo de Angola naquele país

O governo angolano mandou suspender as atividades da TV Record, no país, segundo informou a agência de notícias alemã Deutsche Welle. A suspensão passa a valer a partir da meia-noite de quarta-feira (21). O anúncio foi feito pelo secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Carnaval, na noite de hoje, e o discurso foi transmitido pela TPA, a televisão pública angolana, TPA.

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O Ministério das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) justifica que a medida surge na sequência da constatação de "inconformidades" em relação aos requisitos legais para o exercício da atividade jornalística em Angola. Em comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso, o ministério alega por exemplo "que a empresa Rede Record de Televisão (Angola), Limitada, que responde pela TV Record África, tem como diretor-executivo um cidadão não nacional".

Além da Record, pelo menos outros dois canais também tiveram as atividades suspensas: Zap Viva e Vida TV.

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Segundo Nuno Carnaval, "infelizmente, as direções destas empresas não cuidaram de corrigir ao longo do tempo que vêm operando no mercado angolano. Por outro lado, estas empresas enquanto não procederem a correção em conformidade com os requisitos legais, estarão suspensas do exercício da sua atividade."

O UOL entrou em contato com a Record, no Brasil e em Angola, e aguarda posicionamento.
Conflito com dissidentes
O bispo Edir Macedo, líder da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), é considerado o principal acionista da TV Record.

No ano passado, a IURD virou alvo de uma investigação da Polícia Nacional de Angola e de uma disputa com pastores angolanos dissidentes dos brasileiros. Templos foram ocupados em ações que envolveram violência física.

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Uma parte desses dissidentes é autora de uma queixa-crime, apresentada em 2019, e que originou as ações de busca e apreensão. Eles acusam a IURD de vender templos e enviar dinheiro para outros países; a igreja nega a acusação.

Na época, até o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviou uma carta ao presidente de Angola, João Manuel Lourenço, demonstrando preocupação e solicitando aumento da proteção a membros da igreja no país africano.

"Julgamos ser preciso evitar que fatos dessa ordem voltem a produzir-se ou sejam caracterizados como consequência de ’disputas internas’. Há perto de 500 pastores da IURD em Angola e, nesse universo, 65 são brasileiros. Os aludidos atos de violência são atribuídos a ex-membros da IURD, que também têm levantado acusações e, com isso, motivado diligências policiais na sede da entidade e nos domicílios de dirigentes seus", dizia trecho da carta assinada por Bolsonaro, na ocasião.

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Em entrevista à CNN Brasil, ainda no passado, o bispo Honorilton Gonçalves —líder da IURD em Angola— negou a acusação de ex-pastores da igreja, segundo os quais a instituição religiosa estaria vendendo templos em Angola ou enviando o dinheiro para outros países.

"Nenhum imóvel da igreja foi vendido. Não há nenhuma ilegalidade na igreja, mesmo porque as contas da igreja sofrem auditorias externas e fiscalizações constantes do governo", disse ele.

Fonte: UOL

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