Declarações de Bolsonaro sobre a China causaram argumentação entre a Comissão de Relações Exteriores e o Ministro Carlos França

A declaração dada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), insinuando que a pandemia de coronavírus seria parte de uma "guerra biológica" chinesa e que "os militares sabem disso", teve forte repercussão na audiência da CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado com o chanceler Carlos França hoje.
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A presidente da CRE, Kátia Abreu (PP-TO), considerou a fala de Bolsonaro uma "acusação muito grave" e disse que "nem dormiu direito" por temer algum tipo de retaliação do governo chinês. A principal preocupação da senadora é que a grande exportação de setores de nossa economia para a China, especialmente o agronegócio, possa ser prejudicada.
Kátia revelou que desde que o presidente fez essas declarações, ela foi procurada por centenas de grandes exportadores brasileiros para a China, que mandaram mensagens e fizeram ligações telefônicas, preocupados com as consequências da fala de Bolsonaro. A senadora acrescentou que se em 2020 o Brasil teve um superávit na balança comercial que superou U$ 50 bilhões, foi graças à China.
"Sem as compras chinesas, o superavit teria sido de U$ 18 bilhões. A China é nosso maior parceiro comercial desde 2009, e o Brasil precisa entender que o crescimento deles nos favorece. Se a China crescer 5% por ano nos próximos 10 anos, o aumento de nossas exportações será ainda mais exponencial", detalhou.
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Na resposta à senadora, o ministro das Relações Exteriores concordou com o diagnóstico de Kátia de que o crescimento chinês favorece o Brasil. França revelou ainda que conversou nesta quarta-feira (5) com o presidente Bolsonaro, que lhe garantiu que "nossas relações com a China devem continuar sendo as melhores" e que não teria se referido especificamente ao país quando mencionou a "guerra biológica".
O ministro reforçou que o Brasil não tem "nenhum problema político com a China" e disse que conversou nesta quinta com o embaixador brasileiro em Pequim, Paulo Estivallet.
"O diplomata Estivallet me deu excelentes notícias: 80% dos IFAs (insumos farmacêuticos) fabricados pela China são enviados ao Brasil. Em contato que teve com autoridades chinesas hoje, Estivallet me comunicou que eles continuarão priorizando nosso país", esclareceu França.
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Patentes
Ainda durante a audiência na Comissão de Relações Exteriores, Carlos França disse que o governo ainda está buscando entender a mudança de postura dos Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio) em relação à quebra de patentes de vacinas contra a covid-19.
De qualquer forma, a posição brasileira, de se opor a uma quebra de patentes de imunizantes contra o novo coronavírus, "não mudou", segundo o ministro.
"Nossa impressão é que a maioria dos países continuará dependendo da cooperação das farmacêuticas, e eu penso que o Brasil não pode se afastar de investidores e produtores de vacina", disse França.
Ontem, Joe Biden, presidente dos EUA, resolveu apoiar o pedido de suspensão dos direitos de propriedade intelectual sobre vacinas contra a covid-19, algo que vinha sendo pedido por países como a Índia e a África do Sul.
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A mudança histórica de posição dos EUA foi anunciada pela representante do país na OMC, Katherine Tai. Carlos França disse que, amanhã, terá uma reunião com a enviada para entender a posição americana.
Após o anúncio de ontem, a UE (União Europeia) sinalizou com a ideia de seguir a postura dos EUA e passar a ser a favor da quebra de patentes. Tanto o bloco quanto o país americano sediam diversas grandes empresas farmacêuticas que produzem vacinas contra a covid-19.
Fonte: UOL

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