Com Ciro Nogueira na Casa Civil, militares perderão cargos e influência no governo

BRASÍLIA - Além de diminuir a influência dos militares, a troca do general da reserva Luiz Eduardo Ramos pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) no comando da Casa Civil deve reduzir o número de integrantes das Forças Armadas que dá expediente no Palácio do Planalto. Na pasta, Ramos tinha, apenas na sua assessoria direta, nove colegas de Exército.
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Ao menos parte desses postos já entrou na mira do novo ministro palaciano, que ocupará essas cadeiras com pessoas de sua confiança. Em um sinal de que haverá mudanças, Nogueira consultou o Senado e a Câmara sobre a cessão de servidores para o Executivo.
Com carta branca para escalar o próprio time e até mesmo buscar acomodação na estrutura federal para indicações parlamentares, Nogueira tem dito a interlocutores que vai avaliar o desempenho de cada um dos atuais integrantes da equipe que herdou para, só então, bater o martelo a respeito de substituições. Essa disposição de submetê-los a uma espécie de teste probatório já chegou ao conhecimento desses egressos das Forças Armadas, e gera incômodos.
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Transferido para a Secretaria-Geral da Presidência, Ramos pretende abrigar ao menos alguns desses antigos auxiliares, embora não saiba quantos, já que o número de cadeiras é limitado. Até agora, o ministro levou para a nova pasta apenas o general Mário Fernandes, nomeado ontem como seu secretário-executivo. Fernandes, que era da Secretaria de Relações Externas da Casa Civil, já havia atuado como chefe da Assessoria Especial da Secretaria de Governo, à época em que Ramos era o titular.
Na Casa Civil, está lotado, por exemplo, o coronel Elecio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde. Um dos principais alvos da CPI da Covid e número dois da pasta durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, Franco foi abrigado por Ramos na Casa Civil. Coube a ele a missão de ajudar a organizar informações sobre o enfrentamento à pandemia, com o objetivo de preparar a defesa do governo na CPI em curso no Senado. Pelo papel considerado estratégico, a expectativa é que Franco seja um dos poucos a permanecer na equipe de Nogueira, já que o novo ministro vai assumir a articulação do Planalto na comissão.
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Apenas na assessoria especial da Casa Civil, foram nomeados por Ramos sete militares, em oito cargos disponíveis. O assessor-chefe é o coronel Augusto Cesar Naylor, que recebe um salário de R$ 16.944, segundo o Portal da Transparência. Na Casa Civil ainda está o coronel Heldo Fernando de Souza, que foi o chefe de gabinete de Ramos na Secretaria de Governo. Souza recebe R$ 13.623 mensais.
Nogueira vai tomar posse na próxima quarta-feira, cercado da expectativa de parlamentares pela liberação de recursos para suas bases eleitorais, além de cargos. Até domingo, ele, que já despacha no quarto andar do Planalto, deve se dedicar a identificar as principais queixas de deputados e senadores e começar a redesenhar a sua equipe.
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Número dois fica
O único nome certo até agora é o do secretário-executivo Jônathas de Castro, que foi mantido no cargo. Número dois de Ramos desde os tempos da Secretaria de Governo, ele é apontado como responsável por operar as negociações com o Centrão envolvendo a liberação de recursos e nomeações. No período, se aproximou de Nogueira e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Fonte: O Globo

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