Política · Justiça

Bolsonaro preocupa comunidade internacional pelo comportamento bélico e antidemocrático

Nos organismos internacionais, capitais europeias, nos EUA e mesmo em vizinhos do Brasil, a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de questionar e eleição e recorrer de forma constante aos militares tem sido recebida com "preocupação".

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Se o assunto é considerado como um tema doméstico do país, a instabilidade de uma eventual ruptura democrática no país já passou a entrar no radar de governos estrangeiros e a tendência é de um maior isolamento do presidente no palco internacional, caso mantenha essas atitudes.

Nesta terça-feira, o presidente indicou que irá realizar um desfile militar em Brasília, no mesmo dia em que o Congresso vota uma proposta de modificação nas urnas, para 2022.

Embaixadores estrangeiros ouvidos pela coluna admitiram que a notícia mobilizou as diplomacias estrangeiras, que informaram suas capitais sobre a "crescente tensão" no país. Os postos estrangeiros em Brasília indicaram que o Brasil é hoje assunto internacional por conta do "tsunami" que uma eventual ruptura democrática pode representar para a região latino-americana. "Se o Brasil cai, a América Latina sai dos trilhos", admitiu um negociador de assuntos de desarmamento, na ONU.

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Na semana passada, enviados do governo de Joe Biden deixaram claro ao presidente brasileiro que não existem problemas, na avaliação deles, no sistema eleitoral brasileiro. O recado foi recebido no Itamaraty como um alerta: não haverá um apoio se a opção for a do confronto.

O tema também desembarcou na Comissão Interamericana de Direitos Humanos e na ONU, que passaram a monitorar a situação brasileira.

Em 2018, a própria OEA enviou uma delegação internacional para monitorar as eleições no Brasil. Em 2020, uma vez mais, houve um acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso, para que as votações municipais contassem com o acompanhamento de observadores internacionais.

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Com 14 especialistas de nove nacionalidades, o grupo fez uma análise substantiva sobre aspectos técnicos da votação. Um capítulo inteiro foi destinado à tecnologia eleitoral. Em seu informe final, a OEA constatou que "o calendário eleitoral prevê vários mecanismos para testar e auditar o sistema de votação eletrônica". "Entre eles está o Teste de Segurança Pública, para o qual o TSE convida especialistas externos em tecnologia a testar as barreiras de proteção do sistema", constatou a OEA.

O desafio, segundo a missão da OEA, seria a falta de publicidade sobre as atividades realizadas durante a fase de a auditoria do dia da eleição. Outro problema destacado pela OEA é a "crescente circulação de notícias falsas, em particular as que visavam desacreditar e minar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro durante os períodos eleitorais".

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Isolamento

Na Europa, deputados apontam que as imagens de tanques num desfile em Brasília vão tornar uma ratificação do acordo entre Mercosul e UE uma realidade ainda mais distante. "Quem é que vai conseguir vender a ideia de que estamos fechando uma aliança com um governo que respeita os valores democrático?", questiona um dos parlamentares, na condição de anonimato.

Mesmo dentro do Itamaraty, a constatação é de que o caminho adotado pelo presidente brasileiro pode o afastar ainda mais da comunidade internacional.

Nos últimos dias, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, foi criticado ao retornar ao seu país por ter prestado uma visita a Bolsonaro, durante sua passagem pelo Brasil. A comitiva do português se esforçou em minimizar o encontro, indicando que não se tratava de uma visita de estado e insistindo que ele também havia estado com ex-presidentes brasileiros.

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"A viagem do presidente de Portugal mostrou como é delicado, hoje, um encontro de um líder europeu com Bolsonaro", destacou uma fonte diplomática europeia.

Outro fator que chamou a atenção de diplomatas estrangeiros foi a manutenção de ligações entre a família Bolsonaro e o ex-presidente americano, Donald Trump. Nesta semana, o deputado Eduardo Bolsonaro publicou fotos de sua família com o ex-mandatário da Casa Branca, tecendo amplos elogios ao americano que, hoje, é alvo de críticas duras por parte de grande parte da comunidade internacional e do próprio governo Biden.

Membros de governos estrangeiros qualificaram de "constrangedora" as imagens do deputado com o polêmico ex-presidente americano.

Fonte: UOL

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