Política

Decreto de Bolsonaro favorece seu filho Flávio na indicação para Corregedor da Receita

Um decreto presidencial que altera os critérios para preenchimento de cargos do sistema de corregedorias da República passou despercebido da oposição e do respeitável público. Mas é considerado por auditores da Receita um exemplo do que o blog considera a principal marca do governo Bolsonaro: o filhotismo.

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Em agosto deste ano, um mês depois de ficar vaga a cadeira de corregedor da Receita Federal, o presidente alterou o critério para preenchimento do cargo. A alteração permitiu que servidores aposentados ocupassem o posto máximo das unidades correcionais do Executivo, o que era vetado pelo decreto anterior de 2005.

Onde entra Flávio Bolsonaro nesta história? Denunciado por lavagem de dinheiro, o "Zero Um" tem óbvio interesse no posto. Mas seu preferido para a função, o auditor Dagoberto Lemos, é servidor aposentado. Pelas regras que valiam até a canetada do pai, jamais poderia ser o poderoso corregedor da Receita.

O caso não deixa de ser um constrangimento (para pegar leve) com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem a Receita está subordinada. Em julho, o ministro assinou uma portaria exonerando o ex-corregedor Barros Neto, cujo mandato havia terminado, e nomeando Guilherme Bibiani.

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Atual delegado da Delegacia de Fiscalização de Comércio Exterior em São Paulo, Bibiani teve o nome aprovado pela CGU, foi referendado pelo chefe da Receita e por Paulo Guedes, mas sua nomeação está travada na Casa Civil.

Simplesmente, a portaria de Paulo Guedes não foi publicada. Só a exoneração de Neto saiu. Ou seja, Paulo Guedes, que já foi o posto Ipiranga da República, hoje não tem força nem para nomear o segundo escalão da Receita.

A coluna procurou o Ministério para entender o motivo de a nomeação não ter sido publicada, mas a pasta afirmou, por meio de sua assessoria, que não irá comentar o assunto.

Bibiani, o corregedor vetado, é considerado um nome técnico que jamais concordaria em transformar a Receita em blindagem de políticos aliados do governo ou trincheira de ataque para os inimigos. Muito menos em compactuar com corrupção.

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A permissão para que ex-servidores assumam chefias das corregedorias fez Dagoberto, o preferido do "Zero Um", comemorar em uma rede social: "Diante de uma missão, jamais vou recuar".

Auditores da Receita ouvidos pelo blog estão em pé de guerra, caso o filhotismo vença os critérios republicanos.

Fonte: G1

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