Política · Justiça

Delegado que investigava Renan Jair Bolsonaro é afastado por diretor da PF, Paulo Maiurino

O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, decidiu substituir o delegado Hugo de Barros Correia do cargo de superintendente do órgão no Distrito Federal. É a superintendência do DF a responsável por dois dos principais inquéritos que hoje preocupam o presidente Jair Bolsonaro: o inquérito das fake news, que mira em aliados do presidente, e o que tem como alvo suposta prática de tráfico de influência envolvendo o filho “04”, Jair Renan. Como superintendente, Correia não tocava tais investigações, mas coordenava o núcleo que apura os casos.

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Para o lugar de Correia, Maiurino deve indicar um delegado do Rio de Janeiro, reduto da família Bolsonaro. O Estadão apurou que o delegado foi informado da “demissão” ontem à noite, por telefone, sem maiores explicações. Correia mal completou cinco meses no cargo – foi alçado à chefia da unidade da PF no Distrito Federal em maio, no início da gestão de Maiurino.

Uma das investigações tocadas pela superintendência é relacionada ao inquérito administrativo aberto no âmbito do TSE para apurar ataques ao sistema eleitoral e crimes abuso de poder econômico e político, uso indevido dos meios de comunicação social, corrupção, fraude, condutas vedadas a agentes públicos. O caso foi aberto depois da live em que o presidente Jair Bolsonaro lançou uma série de informações falsas sobre as urnas eletrônicas.

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Foi no âmbito dessa apuração que a superintendência sugeriu ao TSE a ideia de barrar a monetização de canais com conteúdo político, o que atingiu aliados do presidente. “A prática visa, mais do que uma ferramenta de uso político-ideológico, um meio para obtenção de lucro, a partir de sistemas de monetização oferecidos pelas plataformas de redes sociais. Transforma rapidamente ideologia em mercadoria, levando os disseminadores a estimular a polarização e o acirramento do debate para manter o fluxo de dinheiro pelo número de visualizações”, diz a PF em um relatório enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A PF no Distrito Federal é ainda a responsável pela Operação Pés de Barros, que investiga supostas fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo pelo Ministério da Saúde, entre maio 2016 e abril de 2018, período em que a pasta teve como chefe o atual líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (Progressistas-PR), no governo Michel Temer. Dois ex-diretores do Departamento de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde empregados posteriormente no governo Jair Bolsonaro foram alvos da ofensiva, aberta no último dia 21.

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Outra investigação conduzida pela superintendência no DF que causou desconforto ao Palácio do Planalto foi a que mirou o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. A operação que fez buscas contra o aliado do presidente Jair Bolsonaro foi deflagrada dias após Correia assumir a chefia da superintendência. No âmbito de tal apuração – cuja fase ostensiva foi batizada como Akuanduba – a PF apontou ‘fortes indícios’ do envolvimento de Salles com um possível esquema de corrupção para exportação ilegal de madeira, além de citar ‘operações suspeitas’ envolvendo o escritório de advocacia do ex-ministro.

(mais informações em instantes)

Fonte: O Estadão

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