Política

Desesperados para aprovarem a PEC dos Precatórios, ministros pressionam Lira para reverter obrigaçao de voto presencial

BRASÍLIA — No desespero de aprovar a PEC dos Precatórios, ministros do governo pressionaram o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), semana passada, a alterar o ato da Mesa que retomou a votação presencial nas sessões do plenário da Casa. As votações remotas, realizadas durante a pandemia, ajudavam a garantir mais facilmente um quórum mais alto. Agora, cada parlamentar precisa estar na Casa para votações importantes, além de apresentar o cartão de vacinação.

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Em reunião semana passada na Câmara, os ministros João Roma (Cidadania) e Ciro Nogueira (Casa Civil) tentaram convencer Lira a voltar atrás, para dar condições de a PEC ser votada. No dia que estava prevista a votação, na última quarta-feira, 50 deputados estavam ausentes do Congresso. Mas o presidente da Câmara não foi convencido pelos ministros, por mais aliado que seja do Palácio do Planalto.

— Não acredito que isso seja correto. Seria uma situação singular alterar, e eu poderia ser acusado de estar fazendo qualquer tipo de proteção para uma matéria de mais dificuldade — disse Lira.

Ele ressaltou ser possível o deputado votar fora do plenário, mas desde que esteja pelo menos em seu gabinete. Não em sua casa ou outro lugar, como ocorria nas votações remotas.

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Uma tentativa de mudar agora o sistema de votação — voltando do presencial para o remoto — enfrentará resistência na Casa.

— Seria um casuísmo “brabo” esse. Alterar o modo de votação só para agradar ao governo numa votação não tem cabimento— disse o deputado Hildo Rocha (MDB-MA).

Para o emedebista, o retorno à votação presencial tem funcionado:

— Deu certo a volta dos deputados. Está funcionando bem. É só conferir: ninguém contraiu Covid. Se dez ou20 tivessem contraído, aí tudo bem. Era melhor suspender. Mas não foi o que aconteceu.

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O primeiro dia de votações presenciais, na terça passada, teve desrespeito ao novo protocolo imposto pelo presidente da Câmara. Inicialmente, só poderiam entrar na Casa deputados e servidores que comprovassem a imunização contra a Covid-19. O próprio Lira admitiu, contudo, que parlamentares que “optaram por não se vacinar” poderiam trabalhar normalmente. Bolsonaristas que tinham se irritado com a exigência de passa porte sanitário não só compareceram à Câmara como conduziram trabalhos em comissões sem máscara de proteção.

Fonte: O Globo

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