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Didier Raoult, acusado de charlatanismo, recebe reprimenda por promover cloroquina para covid-19

PARIS — Responsável por lançar a cloroquina como uma suposta cura milagrosa para a Covid-19, o médico e microbiologista francês Didier Raoult recebeu nesta sexta-feira uma "reprimenda" da Ordem dos Médicos da região administrativa de Nova Aquitânia, na França, por ter violado o código de ética ao promover a substância comprovadamente ineficaz contra o coronavírus.

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As acusações, entre elas a de "charlatanismo", foram apreciadas pela Câmara Disciplinar da entidade, composta por oito médicos e presidida por um magistrado administrativo. A decisão foi proferida hoje. A sanção podia variar de um simples aviso à proibição de praticar a medicina.

Raoult, de 59 anos, é alvo de duas denúncias atreladas a entidades médicas francesas. Ele é acusado de ter promovido a hidroxicloroquina para tratar a Covid-19, "sem dados científicos comprovados", o que é semelhante a "charlatanismo", conforme afirmou o relator da câmara disciplinar durante audiência no início do mês.

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O médico também foi acusado de ter assumido "riscos imprudentes" ao tratar pacientes com método "não comprovado pela Ciência", segundo o jornal francês Le Monde. A defesa de Raoult tinha pedido o indeferimento do procedimento, para que o órgão declarasse como "inadmissíveis" as reclamações, mas não foi atendido.

O microbiologista ganhou notoriedade durante a pandemia, depois que propôs a que a hidroxicloroquina, um remédio para malária, seria eficaz contra o coronavírus. Ele ganhou apoiadores notáveis na política, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Seu nome também foi citado por senadores durante a CPI da Covid no Brasil.

Em janeiro deste ano, o microbiologista admitiu pela primeira vez que a cloroquina não reduzia a mortalidade ou agravamento da Covid-19. O pesquisador fez a afirmação em uma carta publicada no site do Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia, da França.

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Cientistas de todo o mundo e a Organização Mundial da Saúde (OMS) criticaram a pesquisa desenvolvida por Raoult, dizendo que os estudos foram conduzidos fora dos protocolos científicos padrão. Um ensaio clínico realizado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, chegou à conclusão de que a hidroxicloroquina "não tem nenhum efeito benéfico" no tratamento da Covid-19.

Fonte: O Globo

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