Política · Justiça

Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara, sai do PL depois da filiação de Bolsonaro, por serem incompatíveis

BRASÍLIA — O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, recebeu nesta terça-feira autorização do PL para deixar a sigla. O parlamentar já anunciava que deixaria o partido depois da filiação de Bolsonaro à legenda.

— Só há um extremo nesta eleição: Bolsonaro. Eu não estarei em um palanque, o de Bolsonaro. Onde eu estarei, o tempo irá dizer.

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Na carta enviada ao deputado, Valdemar Costa Neto, presidente do partido, informou que não utilizará das ’’prerrogativas’’ que trata da fidelidade partidária diante da saída de Ramos. Com isso, o deputado pode sair do PL sem ter o seu mandato cassado na Justiça Eleitoral por conta de infidelidade partidária.

De acordo com o documento, a permanência de Ramos se torna ’’insustentável’’ diante das divergências políticas e que causaria ’’constrangimento de natureza política para ambas as partes’’, caso Ramos continuasse no partido.

Em coletiva na tarde desta terça-feira em seu gabinete, Ramos disse que um dos motivos principais de sua saída é mesmo a chegada do presidente Jair Bolsonaro à legenda, visando as eleições de 2022.

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— Eu sempre deixei claro da minha incompatibilidade de ser do mesmo partido do presidente Bolsonaro, não por nenhuma antipatia de cunho pessoal, mas porque considero que ele não é o melhor para o futuro do país — disse Ramos, que acrescentou: — Diante disso, não posso comprometer o que eu acredito ser melhor para as futuras gerações e para as pessoas que eu represento pelo desejo do meu projeto eleitoral ou partidário.

Ramos não anunciou para qual partido vai, mas afirmou que a legenda deverá ter independência em relação ao governo Bolsonaro. O vice-presidente da Câmara indicou que conversou com PSD, PDT e o deputado Paulinho da Força (SP), que comanda o Solidariedade. E citou ter canais de diálogo também com líderes do PSDB, Cidadania e Republicanos.

Marcelo Ramos disse que ainda apresentará uma “ação declaratória de justa causa” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá ser analisada antes de efetivar sua desfiliação.

— Diante disso, o anúncio principal é a minha decisão tomada de sair do PL, com a gratidão de um partido que me acolheu, e me prestigiou — declarou Ramos.

Ramos elogiou ainda a forma como o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, conduz a saída dele do partido.

— Que bom que os casamentos às vezes acabam de forma amigável — disse o deputado, usando metáfora muito utilizada por Bolsonaro.

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Fonte: Folha de São Paulo

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