Política · Economia

Parte do Centrão e também Arthur Lira vão abandonar Bolsonaro

Arthur Lira quer se reeleger na presidência da Câmara. Para se reeleger, ele não pode se tornar um ícone do governo Bolsonaro.

Hoje ele é e tem a chave do cofre feito para parlamentares. Verbas, emendas, atendimentos, tudo passa por ele.

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Ele sabe e por isso não rompeu com Bolsonaro. O Centrão colocou Bolsonaro num cercadinho, o cercadinho do impeachment. Ocorre que a fila do poder anda. Bolsonaro não vai se reeleger.

Arthur Lira terá que, junto com parte do Centrão, que não é Bolsonaro raiz, ir cuidadosamente escorregando para fora da pista atual.

Normalmente, o Centrão faz tal transição com a mudança de nomes, e os velhos, depois assinam um ato de confissão de culpa: Mudei, porque errei. E tudo volta ao normal.

Seja qual for o presidente eleito, inclusive Lula, no presidencialismo de coalizão, desastre que não se corrige com a reforma política, irá compor com o Centrão, Alguém duvida?

Mesmo parlamentares acusados de participarem do "golpe" contra Dilma serão aceitos na base governista de Lula, se ele for eleito.

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Arthur Lira não vai comprometer seu futuro, depois de ter experimentado as delícias de ser presidente da Câmara, com direito a ser recebido com tapete vermelho na Faria Lima, e ser chamado intima e carinhosamente de Arthur por André Esteves, ele não pretende voltar a ser um parlamentar do baixo clero ajudante de Eduardo Cunha. Apreciou a promoção. Todo mundo aprecia.

Para tentar se reeleger, ele precisa estar pelo menos num polo neutro, e para isso, precisa deslizar de onde se encontra rumo ao novo Poder.

Ele e o Centrão podem ser tudo menos ingênuos, e sabem que as pesquisas não estão fraudadas, e que os parlamentares nordestinos vão sofrer para sustentar o nome de Bolsonaro.

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O que vão fazer?

Aproveitar até o último sumo da laranja, e em vez de jogar o bagaço fora rapidamente, vão com cuidado encontrar um lugar para depositá-lo. E isso tem que acontecer antes das eleições.

Não dá para perder junto, e após, negar o candidato. Isso vai ao encontro de Lula, sobretudo no Nordeste, e Arthur Lira sabe disso. O Centrão também.

Tal deslizamento pode criar outras condições no cenário eleitoral assim como outros fatos supervenientes.

É cedo para se cravar resultados. O mercado, que tem um exército de pesquisadores e informantes, errou todas as previsões de dólar, bolsa e inflação para 2021. O mercado político deveria ser mais cauteloso. Hoje o quadro é totalmente favorável a Lula. Bolsonaro não vai ganhar, mas o surgimento de uma terceira via capaz, ainda não está fora de cogitação.

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As articulações para composição da chapa presidencial e as alianças estaduais, que não obedecem qualquer lógica e sim a composição de poder nos Estados, oferecerão oportunidades de mudanças inesperadas.

Arhtur Lira e sua turma são elementos-base dessas possíveis reconfigurações. É preciso acertar a tempestividade, o "timing".

O Centrão lembra Gal Costa na música Folhetim:

E se tiveres renda.

aceito uma prenda ou qualquer coisa assim,

E eu te farei as vontades,

direi meias verdades,

E te farei, vaidoso, supor

Que és o maior e que me possuis,

Mas na manhã seguinte,

Não conta até vinte, te afasta de mim

Pois já não vales nada, és página virada

Descartada do meu folhetim.

A vida é assim. Dura!

Arthur quer continuar ligando para André Esteves e cancelar Bolsonaro, futuramente.

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Fonte: UOL

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