Política

Queiroga diz ter ´´preocupação zero`` com a convocação da Comissão de Direitos Humanos do Senado sobre atraso de vacinação infantil

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que sua preocupação é "zero" após a convocação da Comissão de Direitos Humanos do Senado para que ele explique o atraso na vacinação infantil contra covid-19.
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"Preocupação zero com as convocações, até porque o que eu estou fazendo no Ministério da Saúde, a população brasileira já conhece. Comandamos uma das maiores campanhas de vacinação do mundo", disse Queiroga em conversa com jornalistas ontem em Brasília.

O ministro também disse que presta satisfações de maneira imediata ao presidente Jair Bolsonaro (PL). "[A convocação] faz parte do processo democrático. Estou à disposição da sociedade brasileira, das suas instituições, dos Três Poderes".

Nas redes sociais, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que o atraso para início da vacinação infantil trouxe "consequências trágicas ao Brasil". O senador Omar Aziz (PSD-AM) também criticou a postura do ministro Queiroga.

"Se prestar atenção, ele diz que a vacina foi feita em tempo recorde, colocando dúvida na eficácia da vacina", escreveu Aziz. "O ministro não pode ser dúbio".
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Segundo Aziz, esse tipo de declaração coloca dúvida na cabeça dos pais.

O presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, será convidado a participar da comissão.

Queiroga diz que vacinas foram desenvolvidas ’em curto espaço de tempo’; pesquisadores explicam
Em meio a pressão da pandemia, farmacêuticas aceleraram os esforços para o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19. O imunizante da Pfizer/BioNTech, por exemplo, foi desenvolvido em apenas 10 meses enquanto doenças como a malária, a dengue, cujo vírus responsável foi identificado há 113 anos, ainda não têm vacina.

A rapidez para o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 fez com que muitas pessoas questionassem a sua segurança —inclusive o presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Pesquisadores, no entanto, ressaltam que nenhuma etapa foi pulada no processo. "É preciso lembrar que as pesquisas que já estavam sendo feitas desde as epidemias de SARS e MERS, o que contribuiu para esses resultados. Agora, por causa da pandemia, as pesquisas conseguiram mais recursos, mais financiamento e mais apoio de governos e das empresas farmacêuticas", disse a pesquisadora Samantha Vanderslott em entrevista à BBC News.

Além da Anvisa, outros órgãos de saúde apoiam a vacinação contra a covid-19, em adultos e crianças, como o CDC dos Estados Unidos e a OMS (Organização Mundial da Saúde). Para especialistas, a imunização é a principal arma para controlar a pandemia.

Saúde demorou 3 semanas para anunciar vacina em crianças
A vacina pediátrica da Pfizer foi aprovada pela Anvisa em 16 de dezembro de 2021, mas o Ministério da Saúde resolveu adiar a decisão de incluí-las na campanha nacional até o resultado de uma consulta pública sobre o tema.
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Na época, o ministro Queiroga dizia que a vacinação infantil não era "consensual" e merecia mais discussões mesmo após o aval da Anvisa, órgão competente para a tomada de decisão. A agência analisou um estudo feito com 2.250 crianças que comprovou que o imunizante da Pfizer é seguro e eficaz, com benefícios que superam os riscos.

No caso da CoronaVac, a decisão foi a mesma. Técnicos da agência chegaram a se reunir com infectologistas e pesquisadores do Chile, país onde a vacina já é aplicada em crianças.

Em 20 de dezembro, o ministro da Saúde disse que a "pressa é inimiga da perfeição" ao tratar da vacinação infantil e afirmou que o assunto precisava ser tratado "sem açodamento".

Na consulta pública feita pelo Ministério da Saúde, que recebeu críticas de sociedades médicas e científicas, a maioria dos participantes rejeitou a obrigatoriedade de prescrição médica para vacinar crianças —algo que não é exigido em outras campanhas, como a da gripe.
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Na contramão da ciência, o presidente Jair Bolsonaro é contra a vacinação infantil contra a covid-19. Ele já ameaçou divulgar o nome de técnicos da Anvisa responsáveis por aprovar o uso do imunizante infantil e também disse que a atitude da Anvisa é "inacreditável".

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Fonte: UOL

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