Política

Fundador do PSDB, Aloysio Nunes, apoia união da esquerda para derrotar Bolsonaro: ´´Antipetismo foi um erro``

O ex-senador e fundador do PSDB Aloysio Nunes não acredita mais que o partido o qual ajudou a construir seja mais uma referência nacional. Para Nunes, a legenda se perdeu durante o processo de golpe contra a ex-presidenta Dilma (PT) e o “antipetismo virou a sua segunda natureza”. Porém, o ex-senador defende o diálogo com a esquerda para derrotar Bolsonaro nas eleições desse ano.
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“”Durante o processo de impeachment (de Dilma Rousseff), o antipetismo acabou se transformando em uma segunda natureza do PSDB. Isso nos fez andar em muito má companhia. Agora, diante do desastre que foi a eleição do Bolsonaro – um desastre até previsível – e do seu governo de destruição sistemática, vem a ideia de que é preciso retomar uma diálogo que houve ao longo do tempo com forças de esquerda, como o PT”, declarou Nunes ao Estadão.

Aloysio Nunes também faz uma análise do papel do PT na história recente da política brasileira e lembra de como era o tempo em que a hegemonia da política nacional era disputada entre tucanos e petistas.

“Talvez o PT tenha sido anti-PSDB, e a campanha Fora FHC é um exemplo disso, mas nós, do PSDB, antes desse processo de radicalização, sempre tivemos a compreensão da importância do PT na vida política brasileira como expressão do movimento popular. Ainda que não houvesse um papel escrito, houve convergência em muitas coisas importantes”.
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Em outro momento, Nunes afirma que o partido deixou de ser uma referência nacional após 2018. “O PSDB não é mais uma referência nacional como foi. Na época em que o PSDB teve posições fortes na eleição nacional, com Fernando Henrique, José Serra e Geraldo Alckmin, o partido era uma referência que se opunha ao PT no campo eleitoral. O PSDB trazia consigo um eleitorado mais liberal e progressista, e também de direita conservador, mas do campo democrático. Isso foi explicitado na chapa FHC-Marco Maciel”, analisa.

Ao ser questionado se o governador de São Paulo deve levar adiante a sua candidatura à presidência, Nunes afirma que é preciso ter um partido coerente e uma candidatura forte para chegar até outubro.

“Se você não tem uma candidatura forte, ou uma corrente política com um mínimo de coesão interna, cada um vai buscar a sua sobrevivência. A vida partidária está muito desorganizada, cada um vai buscar a sua sobrevivência. A vida partidária está muito desorganizada, caótica, em razão de vários fatores, como o Fundo Partidário gigantesco, as emendas de bancadas e a perda da agenda presidencial diante do Congresso […] hoje, quem não tem uma candidatura forte de partida, casos de Bolsonaro e Lula, nem é apoiado em um partido minimamente coeso, vê as pessoas tentadas a buscar a própria sobrevivência. É salve-se quem puder”, analisou Nunes.
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Sobre a provável chapa Lula-Alckmin, Aloysio Nunes afirmou que “é um movimento correto do ponto de vista político, tanto da parte do Geraldo Alckmin quanto do Lula. O Lula sabe que precisa caminhar para o centro. É por onde ele tem que crescer para ganhar no primeiro turno. Para isso, há essa alternativa de ter o apoio de um grande partido nacional estruturado que é o PSD”.

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Fonte: Portal Fórum

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