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Vários tarados por violência vão para a Ucrânia: fascistas italianos, hooligans escoceses e bosonaristas

Desde que a invasão da Ucrânia por tropas russas começou, na madrugada de 24 de fevereiro, o mundo se viu tomado por uma preocupação que há pelo menos três décadas estivera esquecida numa gaveta da História: a possibilidade de um conflito generalizado nos quatro cantos do globo ou de um apocalipse nuclear.
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As cenas de cidades sendo destruídas e de cadáveres pelas ruas, independentemente do que pensem ou entendam as pessoas sobre o conflito, sensibilizaram a opinião pública e passaram a apavorar aqueles que não têm sequer ideia do que seja uma guerra. Quer dizer, nem todos.

Alguns cidadãos de várias nacionalidades, imbuídos por ideais de extrema direita e tarados por violência (talvez também fascinados com um romantismo cinematográfico e dos games em relação às guerras) deixaram seus países e embarcaram, ou estão prestes a embarcar, para as trincheiras ucranianas.
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A imprensa italiana noticiou nos últimos dias que militantes neofascistas se alistaram na chamada Legião Internacional de Defesa do Território Ucraniano para lutar contra a Rússia. Na verdade, uma boa parte deles, cerca de 60, já está por aquelas bandas desde 2014, cerrando fileiras nos conflitos contra separatistas russos na região de Donbass. Agora, após a invasão total iniciada em 24 de fevereiro, o número de italianos a pegar em armas pelo lado de Kiev só tem aumentado.

"É um forte interesse que está se desenvolvendo, especialmente por parte daqueles que estão considerando a possibilidade de ir para lutar com as forças ucranianas. O apelo do presidente Volodymyr Zelensky para a criação de uma espécie de brigada internacional irrompeu e foi até aceito por alguns ministros das Relações Exteriores europeus”, explicou o Francesco Marone, pesquisador do Instituto de Estudos Políticos Internacionais, com sede em Milão.
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De acordo com dados levantados pelo jornal italiano Il Post, desde 2014, quando as coisas começaram a esquentar na fronteira da Ucrânia com a Rússia, aproximadamente dois mil cidadãos de vários países europeus entraram no conflito, em sua maioria em favor dos ucranianos. Haveria ainda canadenses, australianos e norte-americanos.

O Código Penal Italiano prevê, em seu artigo 288, que “se alistar ou armar cidadãos, para que possam servir ao serviço ou a favor do estrangeiro” é crime passível de quatro a 15 anos de cadeia. Mas pelos dados de Roma, isso parece não estar atrapalhando os planos de quem pretende sair da Itália para matar ou morrer nas terras do leste.
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Um caso que também ganhou notoriedade nos últimos dias foi o do hooligan escocês Robert Grady, que foi banido há anos dos estádios britânicos por se envolver em episódios de violência. Aos 61 anos, o fanático torcedor do Hibernian de Glasgow resolveu largar tudo e partir para outra batalha, desta vez fora das arquibancadas. Já está em Kiev, fardado e com um rifle nas mãos.

Com experiência militar no exército real britânico, Grady é outra figura reacionária cheia de certezas radicais e exalando extremismo de direita. Nem o fato de ter netos o demoveu da ideia de ir à Ucrânia “para matar o máximo possível de russos”, segundo suas próprias palavras.

“Meu nome é Rob, sou um avô de 61 anos, da Escócia. Eu viajei para a Ucrânia para ajudá-los a combater os russos. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para salvar a Ucrânia de Putin. Qualquer pessoa no mundo, por favor, ajude a Ucrânia. Eles precisam que todos ajudem. Voluntários, por favor!”, escreveu o hooligan da terceira idade em suas redes sociais.

No Brasil a coisa não tem sido diferente. Reportagens recentes apontam que aproximadamente 500 homens, de diversos estados e condições econômicas e sociais, mas que têm em comum a idolatria por Jair Bolsonaro, têm tentado de alguma forma embarcar para a Europa para participar da guerra.
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Um instrutor de tiro do sul do país inclusive ganhou seu momento de fama nos últimos dias ao anunciar que estava indo para o território ucraniano para “matar e morrer”, sempre com frases emocionantes e solidárias na ponta da língua. Um outro, que admitiu aos jornalistas que já tentou ser PM, do Exército Brasileiro e até da Legião Estrangeira da França, confessa que, como nada disso foi possível, o negócio é embarcar para Kiev e “curtir” a guerra. Em comum, todos dizem que querem “ajudar o povo ucraniano” e “lutar contra a demoníaca Rússia”, como se alguém realmente acreditasse que tamanha sanha por viver uma guerra e sair dando tiros pra todos os lados fosse alimentada por esses sentimentos tão nobres.

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Fonte: Portal Fórum

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