Política · Economia

Para Lula, eleger uma bancada forte é tão importante quanto votar em presidente

Em entrevista coletiva à mídia independente nesta terça-feira (26), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que dará mais importância à eleição para o Legislativo do que a própria presidencial. O objetivo é que o Congresso tenha uma “bancada que defenderá o seu governo”. A avaliação do pré-candidato pelo PT é de que é preciso garantir uma maioria parlamentar que trabalhe, junto com o Executivo, por “uma profunda reforma” no Brasil que reconstrua as instituições e as políticas que deixaram de funcionar sob o atual governo.
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“Quando fui eleito, em 2002, fizemos a maior bancada do PT com 90 deputados de (um total de) 513. Então, é preciso convencer o povo de que ele não pode continuar colocando raposa para tomar conta das galinhas, porque as raposas vão comer e não cuidar das galinhas. Essa é uma tarefa que é compromisso de campanha”, completou.

“Quero ter uma lista de todos os candidatos a deputados, de todos os partidos que estão me apoiando, para a gente fazer as pessoas votarem”, declarou o ex-presidente. Lula afirmou que vai o orçamento da União em um eventual novo governo seu será planejado com a participação popular, em vez das emendas sigilosas como praticado atualmente pelo governo de Jair Bolsonaro. O chamado orçamento secreto foi criado pelo atual presidente para angariar apoio do Congresso. Por meio desse artifício, são liberadas as chamadas ‘emendas do relator” sem qualquer transparência.

Atualmente, o PL, legenda do atual presidente Jair Bolsonaro, é a maior bancada da Câmara, com 78 deputados, após o fim da janela partidária no início de abril. Já o PT conta com 56 parlamentares, a segunda maior bancada da Casa. Na sequência vem o PP (52). Juntos, com 48 deputados cada, estão o PSD e o União Brasil – criado da fusão entre PSL e DEM. O Republicanos vêm depois, com 41.
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Expectativas à esquerda

Mais uma vez, Lula foi questionado sobre a presença do ex-governador Geraldo Alckmin na chapa presidencial. Como resposta, ele refutou o argumento de que alianças com setores de centro e centro-direita frustrariam expectativas de vários setores da esquerda quanto a pautas caras desse campo, como a distribuição de renda e a taxação de grandes fortunas.

Lula afirmou ainda que não necessariamente “tenho que ser um presidente mais à esquerda, centro ou direita”, mas sim “que é preciso criar condições para fazer as coisas”. “Eu vou fazer mais não porque serei mais à esquerda, mas porque tenho que fazer mais do que já fiz. E eu acho que a gente pode fazer mais”, rebateu Lula. Nesse sentido, o ex-presidente voltou a defender como “solução” o que vem frisando como inclusão do povo pobre e trabalhador no orçamento da União e do rico no Imposto de Renda.

“Porque quando eles (ricos) estiverem pagando um imposto de renda justo, de acordo com o que eles ganham, pagando o imposto de renda sobre lucros e dividendos, teremos mais recursos para aplicar em mais políticas públicas e sociais e de investimento em educação, saúde e melhorar a vida das pessoas. Mas isso é um processo em construção. Se você fizer bravata e mandar para o Congresso Nacional sem ter uma maioria, você não aprova”, ressaltou.
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‘Bolsonaro medíocre’

Lula também apontou como desafio a educação pública no país em razão da desigualdade que, durante a pandemia de covid-19, foi aprofundada para os filhos dos trabalhadores pobres. Por conta disso, ao longo da coletiva o ex-presidente enfatizou diversas vezes a importância de construir harmonia entre os poderes. Ele também ressaltou a anormalidade da crise institucional entre o Supremo Tribunal Federal e o presidente Bolsonaro, a quem chamou de medíocre pela concessão do indulto a Daniel Silveira, que considerou uma afronta ao Judiciário.

Orçamento participativo

Entre as propostas, além do orçamento participativo, em que a sociedade civil, por meio de conferências municipais, estaduais e federais, aponta para onde e como devem ser investidos os recursos da União, Lula ressaltou que é preciso fortalecer programas sociais, como de inclusão para as pessoas com deficiência. Também disse que é preciso, com participação social, garantir a criação de postos de trabalho diante de um novo cenário em que a indústria vem perdendo peso.

De imediato, o ex-presidente defendeu o fortalecimento de uma política em defesa do empreendedorismo no país. Mas destacou que o empreendedor “não poder ser o cara da motocicleta que não tem direitos e nem salário”. “O empreendedor tem que ser o cara que tenha no Estado uma política de crédito que garanta a ele o empreendimento. O Estado tem que dar oportunidade”, justificou.
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“Em quatro anos terei que trabalhar mais do que trabalhei nos oito anos (em que fui presidente) Vou andar por esse país, fazer conferências, vamos decidir, temos que convencer o Congresso, e tudo isso só será feito se houver harmonia. (…) Vamos ter que fazer uma reforma profunda para que as instituições voltem a funcionar e esse país volte a ser respeitado, volte a receber dinheiro para investimento direto que é o que vai ajudar o país a crescer. E vamos ter que apresentar um plano muito grande de obra de infraestrutura. A gente não pode esperar”, resumiu Lula.

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Fonte: Brasil de Fato

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