Segurança

Vídeo: Madeireiros em Rondônia cercam viaturas da PF para que não persigam caminhão com madeira ilegal

Episódio ocorreu no município de Cujubim, área que atualmente é a principal fronteira de expansão da extração ilegal

BRASÍLIA - A atuação de criminosos que extraem madeira na Amazônia tem testado os limites, até mesmo, da presença policial encarregada de combater as ilegalidades. O Estadão teve acesso a um vídeo filmado por madeireiros que fazem extração na região do município de Cujubim, no norte de Rondônia, área próxima à fronteira com o Amazonas e que hoje é a principal fronteira de expansão dessas atividades ilegais. Nas imagens, é possível ver um grupo de carros em uma estrada de terra, que segue atrás de uma viatura do Batalhão Ambiental da Polícia Militar.
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Em dado momento, um caminhão carregado de madeira passa por eles, em sentido contrário. Quando a viatura da PM decide manobrar, para ir atrás do caminhão, os carros decidem travar sua passagem. No vídeo, é possível ouvir os madeireiros gritando uns para os outros, para cercarem a viatura e impedirem que fosse atrás do caminhão.

“Vai passar aí, tampa aí, manda tampar aí”, grita um madeireiro, enquanto outro cruza o carro no meio do caminho. “Tampa aí, não pode deixar passar”, diz outro. A viatura, então, para, bloqueada pelos carros, enquanto o caminhão segue sozinho pela estrada, levando a madeira.

Como é possível notar nas imagens, não se trata de modelos simples de carros. Os policiais são cercados por picapes 4x4. Após o bloqueio, os quatro policiais descem dos carros, com armas de grosso calibre. As imagens mostram, porém, que eles não passaram pelo bloqueio.
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Na gravação, um madeireiro diz ao agente policial que são “pais de família” e que só estão trabalhando. “Do mesmo jeito que vocês têm filhos para tratar, nós temos. Você já imaginou nós tirarmos seus braços, suas pernas. Vocês vão trabalhar mais?”, afirma.

A reportagem questionou o 7.º Batalhão de Polícia Militar de Cujubim sobre o ocorrido. O batalhão afirmou que não tinha informações para dar sobre o assunto até o momento.

O episódio ocorrido em Rondônia ocorre em meio ao enfraquecimento das ações de repreensão e combate ao crime ambiental, devido ao progressivo esvaziamento de órgãos como o Ibama, Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). O Ibama tem hoje metade dos agentes ambientais que tinha há uma década. O ICMBio passa por frequentes dificuldades financeiras até para cuidar das unidades de conservação que administra. A Funai vive um processo de paralisação de suas demarcações de terras e fiscalizações. A região amazônica tem sido palco de crescentes ameaças, como as ocorridas em Atalaia do Norte (AM), onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips seguem desaparecidos há dez dias.
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Em agosto de 2020, a Polícia Militar de Rondônia e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) realizaram operações na região de Cujubim. A Operação Hiléia fez várias prisões e apreensões, chegando a 13.700 hectares de áreas embargadas e R$ 127 milhões em multas aplicadas por crimes ambientais.

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Fonte: O Estadão

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