Coletiva da PF sobre assassinatos na Amazônia, sem presença de indígenas, causou indignação nas redes

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Veja aqui um breve trecho da coletiva, sem a presença de indígenas e na qual eles foram ignorados:
Desaparecidos na Amazônia: Amarildo confessou o crime, diz Polícia Federal
— GloboNews (@GloboNews) June 15, 2022
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A Polícia Federal não pode alegar ignorância sobre a participação decisiva dos indígenas, pois foi pelas mãos da Equipe de Vigilância da UNIVAJA (EVU) que chegou ao local do crime - Univaja é a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari. Na nota divulgada nesta quarta, a Univaja anotou o passo a passo do processo de buscas, ignorado pela PF na coletiva: “Nós, UNIVAJA, participamos ativamente das buscas desde o dia 05/06/22 através da Equipe de Vigilância da UNIVAJA (EVU). Fomos os primeiros a percorrer o rio Itaquaí atrás de Pereira e Phillips ainda no domingo, primeiro dia do desaparecimento dos dois. Desde então, a única instância que esteve ao nosso lado como parceira nas buscas foram os policiais militares do 8º Batalhão em Tabatinga (AM). Fomos nós, indígenas, através da EVU, que encontramos a área que, posteriormente, passou a ser alvo das investigações por parte de outras instâncias, como a Polícia Federal, o Exército, a Marinha, o Corpo de Bombeiros etc. Foi a equipe de vigilância da UNIVAJA que entrou na floresta em busca de Pereira e Phillips para dar uma satisfação aos seus familiares. Foi a equipe de vigilância da UNIVAJA, a EVU, que indicou para as autoridades o perímetro a ser vasculhado em profundidade pelos órgãos estatais”.
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Veja a seguir reportagem do britânico Channel 4 News, registrando o momento em que a equipe de indígenas da Univaja conduz policiais até encontrarem as roupas. No texto que introduz a reportagem, lê-se: “Este é o momento em que uma equipe de resgate indígena encontra roupas manchadas de sangue que reconhecem como pertencentes a Bruno Pereira, o especialista indígena que desapareceu com o jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia há mais de uma semana”. Assista:
This is the moment an Indigenous rescue team find blood-stained clothes they recognise as belonging to Bruno Pereira, the Indigenous expert who went missing with UK journalist Dom Phillips in the Amazon more than a week ago.@GuillermoGaldos was there when they made the find. pic.twitter.com/1d7AEUZzkW
— Channel 4 News (@Channel4News) June 14, 2022
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A jornalista Eliane Brum registou em um tuíte na manhã desta quinta (16) a presença das equipes indígenas na busca: “Só foram encontrados porque os indígenas os procuraram desde o primeiro minuto. Todos os não indígenas têm uma dívida profunda com os indígenas, uma dívida que precisa se converter em ação”. Veja:
Bruno e Dom são vítimas do projeto de Bolsonaro para a Amazônia. Só foram encontrados porque os indígenas os procuraram desde o primeiro minuto. Todos os não indígenas têm uma dívida profunda com os indígenas, uma dívida que precisa se converter em ação.#JustiçaParaBrunoEDom pic.twitter.com/l4sJ1lv3wJ
— Eliane Brum (@brumelianebrum) June 16, 2022
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A postura da PF causou indignação.
A antropóloga Luísa Molina questionou a PF enquanto transcorria a entrevista: “Isso não é uma coletiva: é uma sessão de troca de tapinhas nas costas de um monte de homem fardado. Como se fossem os grandes heróis. E OS INDÍGENAS?!”.
O questionamento à ausência dos indígenas e à menção ao papel crucial deles foi feito pela jornalista Katy Watson, correspondente da BBC para a América Latina. A seguir, a jornalista Sonia Bridi, em seu perfil do Twitter, às 21h, manifestou-se: “Quase meia hora de agradecimentos e só agora, com a pergunta de uma jornalista estrangeira, os indígenas foram citados”.
No mesmo instante em que Bridi denunciava a postura da PF, o advogado Augusto de Arruda Botelh tuitava: “A jornalista de agora fez a pergunta que tinha que ser feita: pq não tem nenhum indígena na mesa? Pq não foi feito a eles um agradecimento?”
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Pouco antes, a correspondente estrangeira Donna Bowater manifestava seu espanto: “Surreal ver autoridades brasileiras se congratularem pela busca de Dom Phillips e Bruno Pereira em entrevista coletiva para anunciar a descoberta de restos humanos”.
Diante da péssima repercussão da coletiva, Eduardo Fontes, superintende da PF no Amazonas, estrela do evento que ele mesmo organizou, desculpou-se pouco depois, conforme registrou o jornalista Caio Quero, chefe do escritório da BBC em São Paulo: “Superintende da PF diz que foi um ‘equívoco’ não ter mencionado ajuda de indígenas nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips”.
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Veja alguns tuítes:
Isso não é uma coletiva: é uma sessão de troca de tapinhas nas costas de um monte de homem fardado. Como se fossem os grandes heróis.
— Luísa Molina (@lupontesmolina) June 15, 2022
E OS INDÍGENAS?!
Texto de Katy Watson, correspondente da BBC para a América Latina, sobre a entrevista organizada pela PF e outros militares em Manaus, a mais de 1.000 km de Atalaia do Norte. Ela foi a única jornalista a indagar sobre a participação da Univaja: pic.twitter.com/1u89NlGmMe
— Combate Racismo (@combateracismo) June 16, 2022
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Quase meia hora de agradecimentos e só agora, com a pergunta de uma jornalista estrangeira, os indígenas foram citados.
— Sônia Bridi (@SoniaBridi) June 16, 2022
A jornalista de agora fez a pergunta que tinha que ser feita: pq não tem nenhum indígena na mesa? Pq não foi feito a eles um agradecimento?
— Augusto de Arruda Botelho (@augustodeAB) June 16, 2022
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Surreal to watch Brazilian authorities congratulate themselves on the search for Dom Phillips and Bruno Pereira in a press conference to announce the discovery of human remains.
— Donna Bowater (@DonnaBow) June 15, 2022
Importante ressaltar, isso depois da pergunta de @katywatson ?? https://t.co/SzSNQrVz1n
— Caio Quero (@caioquero) June 16, 2022
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Fonte: Portal Fórum

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