Política

Faixa presidenciall pode ser passada a Lula por grupo de pessoas do povo

“Se for necessário, recebo a faixa do povo brasileiro”, disse o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva na véspera do segundo turno, em meio a especulações sobre como seria uma eventual cerimônia de posse que marcaria o retorno do petista ao Palácio do Planalto.

Um mês depois, o presidente Jair Bolsonaro já deu sinais claros de que, além de não aceitar a derrota nas urnas, tampouco deve passar a faixa presidencial para o sucessor no dia 1º de janeiro de 2023.
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Por isso, auxiliares da equipe de transição de Lula pretendem discutir com a primeira-dama, Janja, a melhor forma de fazer o ritual da faixa durante a posse.

Depois de discutir algumas alternativas – como convidar uma mulher indígena ou negra, a irmã da vereadora Marielle Franco ou a mulher do indigenista Bruno Pereira, morto na Amazônia – uma proposta vem ganhando apoio da maioria.

A ideia é que a entrega da faixa seja feita não por uma pessoa, mas por um conjunto de pessoas que representem a diversidade do povo brasileiro.
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“Um índio, um negro, uma mulher, um trabalhador urbano e outro rural, um estudante” comporiam esse grupo, segundo um aliado de Lula que acompanha as discussões.

Um dos nomes que passou a ser cogitado para marcar presença na posse é o da enfermeira Mônica Calazans, que se tornou símbolo da campanha de vacinação no País contra a Covid-19 – ela foi a primeira pessoa a receber o imunizante contra o coronavírus.

Outros nomes discutidos reservadamente são o de Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, e a antropóloga Beatriz de Almeida Matos, mulher de Bruno Pereira.
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Incentivada pelo então governador de São Paulo João Doria, Calazans disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSDB, mas obteve apenas 9.149 votos e não foi eleita.

Mulher e negra, ela personifica duas porções do eleitorado brasileiro que foram decisivas para a vitória de Lula no mês passado.

A coordenação da posse de Lula está sob a responsabilidade de Janja, que já avisou que quer desempenhar um “papel de articulação com a sociedade civil”. Janja ainda vai decidir com Lula os detalhes da posse.

O uso da faixa presidencial foi criado em decreto de 1910 pelo então presidente Hermes da Fonseca, o primeiro chefe do Executivo a entregar a indumentária para um sucessor.
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Ao se recusar a entregar a faixa para Lula, Bolsonaro repete o gesto do general João Figueiredo, o último ditador do regime militar, que não repassou a indumentária para José Sarney.

Outro general, o vice-presidente Hamilton Mourão já avisou que, na ausência de Bolsonaro, não vai aceitar a missão de entregar a faixa a Lula.

“Acho que está havendo uma distorção. Porque a passagem de faixa é do presidente que sai para o presidente que entra. Se o presidente, vamos dizer assim, ele não vai querer passar a faixa, não adianta dizer que eu vou passar. Eu não sou o presidente. Eu não posso botar aquela faixa, tirar e entregar”, disse Mourão em entrevista ao “Valor Econômico”.

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Fonte: O Globo

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