Vídeo: Carla Ayres do PT em Santa Catarina, é assediada por colega parlamentar

Única petista e a mais jovem entre 22 parlamentares de Florianópolis, a vereadora Carla Ayres (PT-SC), 34, assediada ontem por um colega durante sessão na Câmara, tem seu mandato pautado pela defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ e pelo combate à violência contra as mulheres — e recebe ameaças em razão disso.
O caso de assédio foi filmado e ocorreu no dia em que os vereadores aprovaram a Procuradoria da Mulher na Câmara. As imagens mostram o vereador Marquinhos da Silva (PSC) agarrando Carla, fechando o corpo ao redor dela e a beijando na bochecha. Ela se solta, e ele segue rindo. O vereador disse posteriormente que sua atitude foi um "erro".
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Carla foi a primeira mulher eleita vereadora pelo PT em Florianópolis, em 2020, e exerce seu primeiro mandato. Nas redes sociais, se define como "feminista, lésbica, cientista social e política".
"Nada autoriza ou justifica essa postura do vereador", disse Carla, em entrevista à CNN Brasil. "É uma liberdade que expressa, na verdade, como o machismo se manifesta e autoriza os homens usarem gestos desse tipo para cima das mulheres. Ele não é meu amigo, pai, tio, namorado".
Nascida em Jales (SP), é filiada ao partido desde os 16 anos e vive em Florianópolis desde 2012. É cientista social pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e doutora em Sociologia Política pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
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Em seu site, Carla conta que só conseguiu concluir os estudos por ter sido beneficiada com programas de permanência, como bolsas de iniciação científicas e de extensão. E diz que, no período da graduação, "saiu do armário" e conheceu o que chama de "militância".
Concorreu à Câmara Municipal pela primeira vez em 2016, mas acabou com a terceira suplência. Também tentou uma candidatura à Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) em 2018, mas não foi eleita. Em 2020, conquistou 2.094 votos e se elegeu vereadora.
Ela preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Promoção da Igualdade de Gênero da Casa e é autora do projeto que cria o Programa Municipal de Erradicação da Pobreza Menstrual na cidade, que ainda não foi aprovado.
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Cotidiano com ameaças e violência de gênero
Em entrevista para a revista AzMina publicada por Universa em setembro, quando concorria ao cargo de deputada federal, Carla contou que a maioria das violências que recebe são ameaças e ofensas nas redes sociais.
As ameaças são sempre denunciadas às autoridades competentes e as ofensas são denunciadas às plataformas. Geralmente, incluem relação com a minha orientação sexual (lésbica), ao meu partido, ao fato de eu ser mulher e as pautas que defendo. Carla Ayres, vereadora
Ela revelou que as ameaças e a radicalização do discurso de ódio contra candidaturas de esquerda forçou a campanha a contratar segurança em alguns momentos. Carla terminou a disputa como primeira suplente.
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’Não é brincadeira se só um riu’
Ao comentar o caso de assédio sofrido por ela ontem, a vereadora destacou nas redes sociais que não se trata de uma brincadeira quando só uma das pessoas envolvidas dá risada.
No dia em que aprovamos a Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal de Florianópolis, mais uma cena de assédio que precisamos lutar para que não ocorra nas ruas e nos parlamentos do nosso país. Não é brincadeira se só um riu. Carla Ayres
Ao UOL, a vereadora afirmou ontem não se tratar de um fato isolado, mas de uma violência de gênero. "Reflete uma reação aos processos de ocupação das mulheres nos espaços institucionais, e não podemos nos calar. Não pretendemos deixar passar batido, vamos verificar amanhã [hoje] quais medidas serão tomadas", completou.
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Carla afirmou à CNN que já conversou com sua advogada e que irão acionar o Conselho de Ética da Câmara e pedir as medidas cabíveis. Elas também estudam outras providências além da casa legislativa, nas áreas cível e criminal.
Ao UOL, a Câmara Municipal informou que "repudia todo e qualquer ato e reafirma sua atuação no combate contínuo de toda e qualquer ação de violência contra as mulheres" que "sobre o caso denunciado, tão logo o processo chegue à Mesa Diretora, será realizada a apuração dos fatos seguindo os ritos administrativos disciplinares desta Casa Legislativa."
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"Reconheço meu erro", diz vereador que a assediou
Em nota compartilhada em seu perfil no Instagram na noite de ontem, o vereador Marquinhos disse ter recebido com "tristeza a notícia de acusação de assédio contra uma colega".
"Reconheço meu erro em abordar a vereadora de maneira inconveniente, sem a sua autorização, e diante disso peço minhas sinceras desculpas a ela e a todas as mulheres que se sentiram ofendidas pelo meu ato. Ressalto que em nenhum momento agi de maneira má-intencionada [sic], porém, fui infeliz em invadir o seu espaço", escreveu.
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Veja o vídeo:
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Fonte: UOL

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