Política · Segurança

Sinop, MT, registrou um clube de tiro para cada ano de Bolsonaro, a partir de 2019

Em Sinop, cidade onde aconteceu a chacina que vitimou sete pessoas no dia 21 de fevereiro, foram criados três clubes de tiro entre 2020 e 2022. Em 2019, primeiro ano do Governo Bolsonaro, não havia nenhum estabelecimento do tipo registrado no município, mas depois, a cada ano, um foi criado, conforme levantamento do g1, baseado em informações disponibilizadas pelo Exército Brasileiro. O município tem cerca de 149 mil habitantes, conforme estimava do IBGE (Instituto Brasileiro de Geogradia e Estatística).
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Já em Mato Grosso, o número de clubes de tiro registrou aumento de 170% entre 2019 e 2022. Há quatro anos, havia dez clubes no estado e, em 2022, eram 27. Atualmente, segundo dados do Exército, são três locais destinados à prática esportiva cadastrados no município.



No entanto, no site da Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT), constam quatro clubes. O g1 tenta contato com a entidade e com o Exército sobre a divergência dos números.


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Conforme a legislação, o Exército é o responsável por analisar e aprovar a abertura de clubes de tiro, bem como autorizar que uma pessoa possa virar CAC (grupo formado por caçadores, atiradores e colecionadores) ou adquira uma nova arma dentro da lei.

Em todo o Brasil, no mesmo período analisado, o órgão autorizou a abertura de 1.483 clubes, uma média de um por dia durante o mandato do ex-presidente.
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Mais pessoas armadas

Nos últimos quatro anos, também foram mais de 56 mil armas registradas por CACs em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No último ano, houve uma disparada, com 33.079 novas armas cadastradas, o que representa uma média de 90,6 armas por dia e aumento de 1.010,4%, comparando com dados de 2019.

Edgar Ricardo de Oliveira, de 30 anos, um dos autores da chacina, era registrado como CAC desde março de 2022, de acordo com o Exército. Ele é uma das 22.011 pessoas que conseguiram certificados CAC no último ano na região militar que abrange Mato Grosso.

O registro de Edgar encontra-se suspenso após a chacina, com processo administrativo instaurado para cancelamento.

O investigado também fazia parte de um clube de tiro de Sinop, mas, segundo a federação, ele foi desfiliado por faltas. Nas redes sociais, Edgar fazia postagens durante a prática dos disparos com arma de fogo.
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A chacina

Edgar está preso desde o dia 23 deste mês, quando se entregou à polícia e confessou o crime. Atualmente, ele está na Penitenciária Central do Estado (PCE). O comparsa dele, Ezequias Souza Ribeiro, foi morto em confronto com a polícia.

As câmeras de segurança do bar registraram o momento da execução (assista acima). Nas imagens, é possível ver quando Ezequias, de camiseta azul, armado com uma pistola, rende as pessoas e as leva para perto de uma parede. Enquanto isso, Edgar, de camiseta listrada, pega uma espingarda, calibre 12 mm, na caminhonete estacionada em frente ao estabelecimento e retorna, atirando várias vezes.

Uma das vítimas, de 12 anos, depois de vários disparos, tenta correr para fora do estabelecimento. Ela e outro homem foram mortos, segundo a perícia, com tiros nas costas.

Antes de fugirem na caminhonete, um dos suspeitos pega uma quantia de dinheiro que está em uma das mesas de sinuca, além de outros objetos.

A Polícia Civil apontou que a chacina foi cometida por motivo fútil, pois Edgar não se conformou em perder partidas de sinuca para uma das vítimas.
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O que motivou o aumento de armas

Bolsonaro tinha entre suas principais pautas o armamento da população. O ex-presidente editou decretos que facilitaram o acesso às armas e maior limite de munições disponíveis por ano para CACs.

A quantidade de brasileiros com autorização para ter arma de fogo aumentou sete vezes durante o governo Bolsonaro. Ao longo do mandato, a quantidade de CACs subiu de 117.467, em 2018, para 813.188, em 2022.

Os registros concedidos aos CACs ao longo do governo Bolsonaro representam a liberação de 619 novas armas por dia no país nos últimos quatro anos.
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Os decretos de Bolsonaro foram parcialmente suspensos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2022. No dia 2 de janeiro, o presidente Lula (PT) revogou as normas sobre armas e definiu novas regras, dentre as quais a suspensão de novas concessões para CACs registrarem novas armas.

Também estipulou que novos CACs podem ter três armas – o limite vale para colecionadores, caçadores e atiradores.

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Fonte: G1

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