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Enviado especial do clima do presidente Biden aceitou convite para voltar ao Brasil e visitar a Amazônia

O enviado especial do clima do governo americano, John Kerry, afirmou que retornará ao Brasil nos próximos meses e que aceitou um convite da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para visitar a região amazônica. De acordo com o representante climático do presidente Joe Biden, os Estados Unidos estão conversando com a Alemanha e a Noruega e outros países para acertar detalhes sobre sua participação o Fundo Amazônia, mas as contribuições de Washington para a preservação em território brasileiro não devem se limitar a elas.
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Kerry comentou sua passagem recente pelo Brasil durante uma coletiva de imprensa na Cidade do Panamá, onde participa da conferência Nosso Oceano, sobre a preservação dos mares. Respondendo a uma pergunta do GLOBO sobre as conclusões de sua viagem, suas impressões sobre as ações tomadas nos primeiros meses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e os planos americanos para o Fundo Amazônia, ele disse:

— Vamos continuar a trabalhar com o Brasil, a trabalhar com o povo brasileiro e com aqueles que os representam — disse o "czar climático", como foi apelidado pela imprensa americana. — Estamos muito comprometidos em construir essa parceria, concordei em voltar ao Brasil nos próximos meses. Marina Silva disse que quer me levar para a Amazônia e eu concordei em passar um tempo lá, conversar com as pessoas e entender como podemos prosseguir juntos para ganhar esta batalha.
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Veja fotos da expedição que localizou a maior árvore da Amazônia, o angelim-vermelho, no Amapá






Árvore localizada em 2019 via satélite. Encontro de cientista com exemplar de 88,5 metros aconteceu em setembro último
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Kerry esteve no Brasil do dia 26 ao dia 28, onde se encontrou com o vice-presidente Geraldo Alckmin e uma série de representantes do alto escalão brasileiro — entre eles, Marina Silva, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. As reuniões no país, afirmou o democrata, "foram as mais construtivas que eu tive em muito tempo", agradecendo ao governo Lula pela "mensagem clara de como vão compensar o que não vinha acontecendo nos últimos anos".

— Vamos continuar a trabalhar com o povo brasileiro e com aqueles que o representam. Isso não é algo que deve ser imposto de fora, e nem deveria ser. Tem que ser feito porque o povo do Brasil acredita nisso e quer fazer — afirmou, ressaltando que o desejo americano é cumprir seu papel como nação desenvolvida e maior emissora história de gases-estufa.
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Elogiando o compromisso do governo em zerar o desmatamento até 2030, reforçar a proteção de terras e aumentar a produtividade agrícola sem o desmate, Kerry disse crer que os esforços brasileiros serão recebidos similarmente pelo mundo. A atual confluência de forças, afirmou ele, é boa e pode ser derradeira:

— É a última chance, penso eu, de juntar as pessoas. Você tem um governo disposto e pronto, gente no exterior que quer ajudar. Precisamos acabar com o desmatamento, e não é só no Brasil. É na Bacia do Congo, nas florestas da Indonésia, da América Central, inclusive em casa nos Estados Unidos.

Um dos temas principais da viagem do enviado de Biden, contudo, foram contribuições para o Fundo Amazônia, ajuda que os EUA têm sinalizado estarem dispostos a fazer desde a mudança de governo. Com R$ 3,12 bilhões, o mecanismo foi retomado em janeiro deste ano, após ter sido suspenso em 2019, quando o então ministro do Meio Ambiente do governo de Jair Bolsonaro, Ricardo Salles, extinguiu seus comitês gestores sem consultar os países financiadores. Alemanha e Noruega, duas únicas nações doadoras do instrumento que almeja proteger o meio ambiente, suspenderam então suas doações.
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O democrata, que concorreu à Casa Branca em 2004, não falou mais detalhes sobre os valores que Washington pretende destinar ao fundo, mas disse que a ajuda americana não deve se limitar a ele. Kerry afirmou que a preservação da floresta é "um grande recurso do Brasil" e ressaltou sua importância para as comunidades indígenas "que precisam ser completamente parte deste processo".

— O Fundo Amazônia é parte disso, uma parte importante. Temos muito respeito por ele, por sua credibilidade e história. Estamos conversando com a Alemanha, a Noruega e outros para garantir que estamos coordenados conforme seguimos em frente — afirmou, completando que a preservação da Amazônia é uma das "paixões" de Biden. — Nosso objetivo é garantir que haverá dinheiro suficiente, e isso provavelmente significa mais que só o Fundo Amazônia.
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Outra frente na qual os EUA desejam colaborar, afirmou o representante da Casa Branca, é em um mercado de carbono "muito transparente, bem administrado e definido". O mecanismo, completou, pode ser parte da solução "com integridade ambiental e salvaguardas".



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Fonte: O Globo

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