Lula inaugura única linha de produção de caças Gripen fora da Suécia, na Embraer

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou na manhã desta terça a linha de montagem dos caças Gripens na unidade da Embraer na cidade de Gavião Peixoto, distante 243 quilômetros da capital paulista. Trata-se da única linha de montagem do caça fora da Suécia.
Também participaram da cerimônia o ministro da Defesa, José Múcio, que discursou em nome do presidente, e o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar, Marcelo Damasceno. Ao lado deles, Lula descerrou a placa de inauguração da linha de montagem do caça.
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Um Gripen que decolou da base de Anápolis, em Goiás, fez um voo de demonstração durante a cerimônia de inauguração. Lula não discursou e nem falou com a imprensa.
José Múcio disse que a transferência de tecnologia, mais do que evolução dos meios de defesa aérea do país, permite ao país aumento de sua capacidade operativa, atuando em alvos de longo alcance.
- Poucos países do mundo possuem essa capacidade - afirmou.
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A montagem dos F-39 Gripen no Brasil faz parte do acordo de transferência de tecnologia firmado em 2014 entre o governo brasileiro e a sueca Saab, que desenvolveu os aviões. Em Gavião Peixoto, serão montados 15 caças Gripen dos 36 previstos no contrato assinado em 2014. O primeiro Gripen brasileiro ficará pronto em 2025.
"Participamos do desenvolvimento da aeronave ’biposto’ (de dois lugares) e tenho certeza que as duas empresas estão aprendendo muito. É um círculo virtuoso que cria empregos qualificados no Brasil" - disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Bosco da Costa Jr.
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Ele lembrou que há algumas semanas, a Embraer assinou memorando de intenções com a Saab para que as duas empresas colaborem em novos mercados, com oportunidades para o Gripen e o KC-390.
No ano passado, mais quatro caças foram incluídos no contrato, totalizando 40. Quatro caças montados na Suécia já estão em operação no país e outros dois chegaram ao país sexta-feira passada.
Os outros 17 também virão da fábrica da Saab em Linköping, na Suécia.
Todos os aviões serão entregues até 2027 e ficarão na Base Aérea de Goiânia. Há estudos para que a Força Aérea Brasileira (FAB) compre um segundo lote de 26 aeronaves.
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Para a montagem dos caças em solo brasileiro, as aeroestruturas serão enviadas da unidade de Linköping e da fábrica da Saab localizada em São Bernardo do Campo (São Paulo). A unidade faz parte da cadeia de fornecimento global da Saab para o Gripen. E trabalha com as mesmas ferramentas, os softwares, os conceitos e as tecnologias utilizadas na produção do Gripen em Linköping.
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200 funcionários na montagem
Pelo menos 200 funcionários estão envolvidos na montagem do Gripen no Brasil, sendo 60 da produção. Três estações finais de montagem, uma de limpeza e a área de preparação de voo foram implementadas para atender o caça.
- Vamos fabricar 15 aeronaves aqui e muitas mais para o Brasil e para outros países da América Latina. A Embraer sempre foi nossa parceira desde a assinatura do acordo e esta planta mostra nosso compromisso com a transferência de tecnologia para o Brasil - disse Micael Johansson, presidente da Saab.
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Johansson disse em recente entrevista ao GLOBO que a montagem dos aviões em solo brasileiro consolida a cadeia de produção aeroespacial brasileira. As estruturas produzidas no Brasil e na matriz são idênticas e podem ser instaladas em qualquer caça Gripen.
Os Gripen fazem parte da renovação da frota brasileira, até então composta, majoritariamente, por caças americanos F-5, fabricados na década de 1970. O investimento da FAB foi de 39 bilhões de coroas suecas (cerca de R$ 19 bilhões) com financiamento de 25 anos.
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Trata-se de uma aeronave multimissão, com funções de patrulha (ar-ar), ataque (ar-terra) e ainda com capacidade de operações contra alvos marítimos (ar-mar).
Treinamento na Suécia
Desde a assinatura do acordo até a entrega final dos aviões, mais de 300 técnicos e engenheiros brasileiros participarão de treinamentos teóricos e práticos, na Suécia, a fim de adquirir o conhecimento necessário para fazer as mesmas tarefas no Brasil.
Desde o início do projeto, a Saab estabeleceu uma parceria com a Embraer para receber a transferência de tecnologia e ser a responsável pela montagem dos caças no país.
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Em Gavião Peixoto, já estão funcionando o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (Gripen Design and Development Network) e o Centro de Ensaios em Voo do Gripen (Gripen Test Flight Centre), que completam o ecossistema de fabricação do caça. Na fábrica de São Bernardo, estão sendo produzidos o cone de cauda, os freios aerodinâmicos, a fuselagem traseira e dianteira para o Gripen.
A brasileira AEL produz os três displays avançados de cabine. Johansson disse, durante a cerimônia de inauguração da linha brasileira, que o Brasil será uma espécie de hub do Gripen na América Latina, com o apoio da Embraer. Colômbia e Peru teriam interesse no caça, que poderá ser montado no Brasil.
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A Saab tem investido numa jornada de internacionalização nos últimos anos. A companhia quer fortalecer sua posição em mercados estratégicos e o Brasil é um deles na América Latina. No setor de defesa, há diversas soluções da empresa em uso nas Forças Armadas brasileiras.
A Saab tem operações em mais de 30 países e seus produtos são vendidos para 100 países. A parceria para o desenvolvimento e produção dos Gripen no Brasil é o maior contrato de exportação da história da Suécia e o maior programa de transferência de tecnologia em curso atualmente naquele país.
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: [email protected]
Fonte: O Globo

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