Eletrobrás: Pesquisador explica irregularidades na antecipação de pagamentos à CDE

"Proposta de antecipação engana o consumidor, dando a ele com uma mão aquilo que já está previsto que será retirado dele com a outra", explica Ronaldo Bicalho.
[bn1][/bn1]
Em artigo publicado no site do Instituto Ilumina, o pesquisador da UFRJ Ronaldo Bicalho criticou as notícias sobre uma possível trégua entre o Governo e a Eletrobrás a partir da antecipação de pagamentos à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) - tais pagamentos seriam relativos à contrapartida do aumento da tarifa de energia elétrica que virá da mudança do regime de comercialização de cotas para preço de mercado advinda da privatização da empresa.
[bn1][/bn1]
De acordo com Bicalho, "a primeira questão que se deve ter em mente quando se discute a possibilidade de antecipação desses recursos associados à descotização é que eles estão relacionados à tentativa de amenizar um aumento de tarifas que virá inevitavelmente do próprio processo de descotização. Em consequência, a própria existência desses recursos está ligada a esses aumentos futuros e foram concebidos para fazer face a esses aumentos futuros".
"Usar esses recursos para fazer face a pressões de custos, passadas e presentes, que nada tem a ver com as pressões futuras reais associadas à descotização é simplesmente despir um santo para cobrir um outro. É simplesmente pegar o dinheiro destinado a pagar a mensalidade da escola das crianças e gastar no supermercado. E o pior é achar que está tudo bem e que depois a gente resolve", acrescenta o especialista e diretor do Instituto Ilumina.
[bn1][/bn1]
Bicalho ainda explicou que o governo de Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, antecipou cinco bilhões de Reais, dos 32 bilhões, à CDE, para reduzir as tarifas em ano eleitoral, e afirmou que "essa proposta de antecipação engana o consumidor, dando a ele com uma mão aquilo que já está previsto que será retirado dele com a outra".
"Associar, então, essa antecipação à desistência do Governo à luta contra uma privatização espúria é um despropósito nascido da ignorância ou da má fé de determinados personagens que arrastam as suas correntes no cenário tenebroso do setor elétrico brasileiro atual. Se querem realmente discutir à vera, vamos colocar na roda a própria descotização. Vamos, de fato, respeitar os contratos. Façamos o seguinte, a Eletrobras pode ficar com os seus 32 bilhões em troca de não rolar a descotização. Essas tristes figuras ficam com os seus bilhões e o povo brasileiro fica com a energia barata", propôs o pesquisador.
[bn1][/bn1]
"O resto é picaretagem", concluiu. Leia o texto completo clicando aqui.
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: [email protected]
Fonte: Brasil247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.