Para Piketty, única saída para o Brasil é persistir com a esquerda
Em entrevista, o economista Thomas Piketty analisa a desigualdade no Brasil, critica o sistema tributário regressivo e defende a continuidade de projetos progressistas.

Foto: O economista francês Thomas Piketty. Foto: Reprodução/Outras Palavras · Original e licença
O renomado economista francês Thomas Piketty, referência mundial no estudo das desigualdades, defendeu que o Brasil deve persistir em um projeto de esquerda para enfrentar seus desafios estruturais. Em entrevista concedida ao portal Outras Palavras, o diretor de estudos da École des hautes études en sciences sociales alertou que seria um "grande erro" para o país seguir o caminho do bolsonarismo, especialmente em um momento em que o trumpismo enfrenta desgaste internacional.
Piketty destacou que o sistema tributário brasileiro é um dos principais entraves ao desenvolvimento social, apontando que os mais ricos pagam alíquotas efetivas inferiores às da classe média. Segundo o economista, a superação desse cenário exige mais do que vitórias eleitorais isoladas: é necessária uma maioria parlamentar comprometida com uma reforma fiscal progressiva que permita elevar a receita pública e financiar serviços essenciais, como o SUS e a educação.
Sobre o cenário eleitoral, o autor de 'O Capital no Século XXI' observou que a esquerda brasileira ainda mantém uma forte conexão com o eleitorado de baixa renda, fruto de políticas redistributivas históricas. No entanto, ele ressaltou que o país precisa renovar lideranças e programas, além de atuar ativamente na cooperação internacional para transformar o sistema financeiro global, que atualmente impõe juros elevados e limita a margem de manobra de nações do Sul global.
Ao abordar a crise climática e a exploração de recursos como o petróleo na Margem Equatorial, Piketty defendeu que o caminho para o desenvolvimento não deve repetir os erros de emissão de carbono dos países ricos. Ele propõe um modelo de reparação global, onde impostos sobre grandes fortunas financiem a transição para economias sustentáveis e menos dependentes de crescimento material intensivo.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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