IA da Meta beneficia Flávio Bolsonaro e bloqueia material eleitoral do presidente Lula

Mais um escândalo envolvendo os gigantes de tecnologia e o favorecimento à extrema direita veio à tona na reta final da eleição presidencial. A inteligência artificial da Meta, integrada ao aplicativo WhatsApp, está concedendo tratamento privilegiado ao candidato bolsonarista Flávio Bolsonaro em detrimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na geração de materiais de campanha digital. Testes comprovaram que a ferramenta aceita comandos para criar peças gráficas para o aliado do PL, enquanto veta solicitações idênticas feitas em favor do candidato progressista.
A discrepância foi constatada ao solicitar à plataforma a criação de bandeiras nas cores verde e amarela com as inscrições eleitorais dos dois concorrentes. Enquanto o sistema barrou sumariamente a tentativa de gerar o material com o nome do presidente Lula e seu número treze, a IA liberou sem qualquer restrição a imagem com o nome de Flávio associado ao número vinte e dois. Mesmo quando instada a criar uma foto na Avenida Paulista, a tecnologia produziu a imagem de Flávio Bolsonaro com seu número de urna, mas recusou o pedido idêntico para o presidente da República.
A conduta da plataforma descumpre frontalmente as normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral e pela Constituição Federal. A legislação brasileira determina o princípio da isonomia e da igualdade de oportunidades entre as candidaturas, enquanto a Resolução vinte e três mil seiscentos e dez de dois mil dezenove do Tribunal Superior Eleitoral exige neutralidade absoluta das aplicações de internet, proibindo privilégios que favoreçam ou prejudiquem qualquer projeto político durante o pleito.
Pressionada sobre as falhas e o viés escancarado no atendimento aos usuários, a própria inteligência artificial da Meta admitiu no chat a ilegalidade da situação. A ferramenta respondeu ao usuário reconhecendo que o bloqueio seletivo fere a legislação eleitoral do país e atenta contra o uso isonômico dos meios de comunicação, uma vez que o favorecimento indireto por meio de respostas automatizadas foi expressamente vedado pelas diretrizes atualizadas do TSE para a eleição de dois mil e vinte e seis.
Em tentativa de se justificar, a Meta enviou nota alegando que proíbe temporariamente a recomendação e a criação de imagens de candidatos para cumprir as regras brasileiras, sustentando ter adotado filtros para barrar comandos com o primeiro nome e o número de urna. No entanto, a prática demonstrou a ineficácia dos mecanismos de segurança e escancarou como o filtro opera de forma assimétrica, liberando propaganda para o filho de Jair Bolsonaro enquanto censura o material do campo progressista.
A assimetria na atuação das grandes empresas de tecnologia reforça o alerta da campanha do presidente Lula sobre as tentativas de interferência e desequilíbrio na disputa eleitoral. O caso exige providências imediatas por parte do TSE para punir a quebra de neutralidade da plataforma, impedir que ferramentas automatizadas beneficiem a extrema direita e garantir a lisura e a igualdade de condições no processo democrático nas redes.
Com informações do UOL Notícias

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