Política · Justiça

Plano de Bolsonaro para sabotar votos no Nordeste é desmascarado pelo STF

O Supremo Tribunal Federal iniciou a fase de depoimentos no processo que apura a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro e seus aliados após a derrota nas eleições de 2022. Nesta segunda-feira (19), o ex-analista de inteligência do Ministério da Justiça, Clebson Vieira, revelou ter recebido ordens suspeitas da equipe de Anderson Torres, então ministro da Justiça do governo Bolsonaro.
[bn1][/bn1]
As ordens, segundo ele, vinham da diretora de Inteligência Marília Ferreira e determinavam o mapeamento de cidades com mais de 70% de votos para Lula ou Bolsonaro, além de uma análise sobre a distribuição da PRF. Vieira afirmou que percebeu de imediato o “viés político” das ordens e decidiu arquivar os documentos para denunciá-los futuramente. Em seu depoimento, ele afirmou ter ficado apavorado ao perceber que sua habilidade técnica foi usada para respaldar decisões ilegais.

Também ouvido pelo STF, o ex-diretor de inteligência da PRF Adiel Alcântara confirmou o uso da corporação para fins políticos. Ele relatou ter recebido ordens específicas para monitorar ônibus vindos de estados do Sudeste com destino ao Nordeste, véspera do segundo turno. A medida visava claramente dificultar o acesso de eleitores de Lula às urnas, segundo as denúncias da PGR.
[bn1][/bn1]
Alcântara ainda denunciou o aparelhamento da PRF sob comando de Silvinei Vasques, figura próxima a Bolsonaro. A vinculação explícita do órgão a interesses eleitorais bolsonaristas gerava desconforto entre os policiais, segundo ele, pois feria a função republicana da corporação. A denúncia contra Bolsonaro e outros golpistas foi aceita pelo STF por unanimidade.

Entre os réus estão, além de Bolsonaro, nomes como Anderson Torres, Mauro Cid, Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e outros membros do núcleo duro golpista. Eles respondem por crimes gravíssimos, incluindo tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada, com penas que podem ultrapassar 40 anos.

Os depoimentos, que ocorrem por videoconferência, são transmitidos à Primeira Turma do STF, mas sem gravações permitidas. A defesa de Bolsonaro tentou adiar as audiências sob alegação de falta de acesso às provas, mas o pedido foi negado. O Supremo reafirmou o compromisso com a celeridade do julgamento, que é crucial para a democracia brasileira.
Com informações do DCM

Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: [email protected]

Fonte: Plantão Brasil

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaRicharlison denuncia Flávio Bolsonaro e pede intervenção da PF em disputa por mansão