Mercado financeiro aplaude ofensas contra Lula e STF em conferência do BTG Pactual

O CEO Conference 2026, promovido pelo BTG Pactual, encerrou seu primeiro dia nesta terça-feira transformando-se em um palco de ataques agressivos contra o presidente Lula e as instituições democráticas brasileiras. Em um painel mediado por André Esteves, grandes gestores do mercado financeiro, como Luís Stuhlberger e Rogério Xavier, abandonaram as análises técnicas para destilar preconceitos e endossar discursos alinhados ao bolsonarismo. A plateia, formada pela elite de investidores e executivos, reagiu com aplausos entusiasmados às falas que atacaram desde a idade do presidente até a atuação do Supremo Tribunal Federal.
[bn1][/bn1]
Rogério Xavier, da SPX Capital, protagonizou um dos momentos mais deploráveis ao questionar de forma desrespeitosa o direito de Lula, aos 81 anos, disputar as eleições, classificando a candidatura como um "absurdo". A fala, que ignora a soberania popular e a saúde institucional, foi celebrada pelos presentes, evidenciando o desconforto dessa elite com a continuidade de um governo voltado ao social. O tom de arrogância marcou o debate, sugerindo que o mercado se sente no direito de ditar quem pode ou não participar do processo democrático brasileiro.
Seguindo a mesma linha de ataques, Luís Stuhlberger, da Verde Asset, fez declarações que beiram o golpismo ao atacar o STF. Ele alegou uma suposta "deterioração das instituições" e afirmou que empresários vivem sob "medo de punição" pela Suprema Corte, uma retórica clássica da extrema-direita para deslegitimar a justiça. Stuhlberger não escondeu sua torcida ao declarar que as chances da direita vencer são maiores e que uma vitória conservadora serviria para "corrigir" o atual cenário institucional, ignorando os avanços econômicos reais do governo Lula.
[bn1][/bn1]
Apesar das tentativas dos gestores de pintar um cenário doméstico de caos político, os dados apresentados pelo próprio André Esteves revelaram uma realidade diferente. O mediador admitiu que o Brasil não vive uma crise aguda, citando indicadores positivos como o desemprego baixo, a inflação em desaceleração e a robustez das reservas internacionais sob a gestão atual. O reconhecimento desses avanços econômicos, no entanto, foi sufocado pelo ambiente de hostilidade partidária que dominou o evento e as discussões sobre a sustentabilidade da dívida pública.
No campo internacional, o painel destacou que o comportamento dos mercados brasileiros tem sido guiado majoritariamente por fatores externos, como a realocação de portfólios americanos, e não por supostas crises internas criadas pela oposição. André Jakurski, da JGP, reforçou que o movimento global de capital explica o desempenho dos ativos muito mais do que a política doméstica. Mesmo assim, os participantes preferiram focar em críticas personalistas a Lula, demonstrando que o setor financeiro segue mais preocupado com seus interesses ideológicos do que com a estabilidade do país.
O evento, que segue nesta quarta-feira, consolidou a imagem de um setor financeiro que ainda não aceitou os resultados das urnas e busca forçar um retorno ao modelo que beneficiava apenas o topo da pirâmide. Ao atacar o STF e a figura de Lula, essa elite empresarial sinaliza uma aliança perigosa com o radicalismo político, colocando em xeque o próprio discurso de "estabilidade" que costumam pregar para atrair capital internacional. A conferência do BTG acabou servindo como um megafone para o ressentimento de quem perdeu o controle sobre a agenda nacional.
Com informações do DCM
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: [email protected]
Fonte: Plantão Brasil

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.