Investigado por corrupção no setor funerário ganha cargo de R$ 22 mil no governo Jorginho Mello

O governo de Jorginho Mello (PL), alinhado ao bolsonarismo em Santa Catarina, tornou-se abrigo para figuras envolvidas em escândalos de corrupção. João da Luz, ex-secretário municipal de Florianópolis e alvo de graves investigações do Ministério Público, foi nomeado para um cargo comissionado na Celesc com um salário nababesco de R$ 22 mil mensais. Admitido em janeiro deste ano como assessor técnico, Luz carrega no currículo a suspeita de ter favorecido um cartel no setor funerário enquanto ocupava cargos públicos na capital catarinense.
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As investigações da Operação Mercadores da Morte pintam um retrato vergonhoso da conduta do atual assessor da Celesc. Segundo o MP-SC, João da Luz teria recebido vantagens indevidas, incluindo uma viagem paga por empresários e até um chinelo da marca francesa Hermès, avaliado em R$ 4 mil. Em troca desses "mimos", o ex-secretário teria editado decretos favoráveis às funerárias e retirado fiscais que incomodavam o esquema, demonstrando um total desprezo pelo patrimônio público e pela ética na administração.
O esquema do qual João da Luz é suspeito de participar não tinha limites para a crueldade: o inquérito revela a redução deliberada da qualidade de caixões gratuitos para pessoas carentes e a indução de famílias enlutadas a contratar serviços desnecessários. Enquanto a população sofria com a exploração em momentos de dor, o agora funcionário do governo do PL desfrutava de uma vida pública supostamente íntegra. A rede de corrupção foi tão vasta que levou à prisão de 16 pessoas e teve desdobramentos que atingiram até prefeituras do interior, como Criciúma.
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Mesmo com o cumprimento de mandados de busca e apreensão e a exposição de conversas comprometedoras, João da Luz encontrou refúgio na estrutura do estado comandada por Jorginho Mello. A Celesc, empresa de energia essencial para os catarinenses, serve agora de "cabide de emprego" para um investigado por crimes contra a administração pública. A nomeação ocorreu em janeiro de 2026, mostrando que, para o bolsonarismo local, as investigações do Ministério Público parecem não ser critério para impedir o acesso a altos salários pagos com dinheiro público.
Recentemente, a Polícia Civil deflagrou a Operação Cortejo Oculto, bloqueando R$ 15 milhões em bens relacionados ao esquema funerário, o que reforça a gravidade das acusações que cercam o novo assessor técnico da Celesc. Enquanto a defesa de Luz utiliza uma retórica rebuscada para falar em "história de vida íntegra", os fatos apresentados pelos promotores mostram notas fiscais e decretos feitos sob medida para beneficiar um cartel que lucrava em cima da morte.
A permanência de João da Luz em um cargo de confiança é uma afronta à sociedade catarinense e reforça o método bolsonarista de blindar aliados envolvidos em malfeitos. É preciso que as instâncias de controle e a própria Celesc respondam por que um investigado por corrupção e favorecimento de cartel possui os requisitos morais para assessorar uma estatal. A reconstrução da moralidade pública no Brasil passa por denunciar e barrar esse tipo de nomeação que transforma o Estado em um balcão de negócios para amigos do poder.
Com informações do DCM
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Fonte: Plantão Brasil

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