Política · Segurança

Federação União-PP abandona Flávio Bolsonaro no Rio e caminha para a neutralidade

A prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), provocou um terremoto político na direita do Rio de Janeiro e colocou em xeque o projeto eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo informações da jornalista Bela Megale, do jornal O Globo, a grave crise de desconfiança aberta nos bastidores deve levar a federação União-PP a abandonar em definitivo o palanque de Flávio Bolsonaro, consolidando um caminho de neutralidade na disputa majoritária no estado. A iminente debandada partidária isola o clã bolsonarista em seu principal reduto eleitoral e expõe as fraturas de uma coalizão corroída por suspeitas criminais, disputas por vagas na chapa e traições explícitas entre os dirigentes partidários.
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A ação contundente da Polícia Federal contra Canella gerou uma onda de indignação e revolta na cúpula do União Brasil. Integrantes da Executiva Nacional e regional da legenda enxergaram com profunda desconfiança as movimentações de bastidores feitas por caciques do PL logo após o estouro do escândalo. Setores do partido acusam abertamente os correligionários de Flávio Bolsonaro de atuarem para queimar a candidatura do ex-prefeito e espalharem o boato de que ele seria rebaixado para a disputa de deputado. O objetivo dessa manobra rasteira seria forçar a saída de Canella para que o PL pudesse abocanhar a vaga de candidato ao Senado de forma isolada, traindo os acordos pré-eleitorais firmados com os aliados.

O clima de hostilidade azedou de vez diante do silêncio sepulcral de Flávio Bolsonaro após a operação policial. Considerado um aliado íntimo e o principal padrinho da inserção de Canella na chapa majoritária, o senador sumiu do mapa e não esboçou qualquer gesto público ou privado de solidariedade ao ex-prefeito detido, gerando revolta entre os caciques do União Brasil. Canella foi preso em flagrante após agentes federais localizarem um fuzil em seu veículo durante os mandados da Operação Unha e Carne — investigação que mira um esquema bilionário de lavagem de dinheiro operado por meio de redes de postos de combustíveis na Baixada Fluminense para mascarar recursos ilícitos das máfias locais.
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Esse novo desgaste sepulta de vez as pontes de Flávio Bolsonaro com o PP, a outra metade da federação partidária. O presidente nacional da sigla progressista, senador Ciro Nogueira (PP-PI), já acumulava uma forte contrariedade com a postura omissa do clã bolsonarista após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal que apuram ramificações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master e as operações do empresário Daniel Vorcaro. Sentindo-se desamparado e fustigado pelas ações policiais, Ciro Nogueira vinha vetando internamente o apoio formal a Flávio Bolsonaro. Com a prisão de Canella e o levante do União Brasil, a aliança ruiu por completo.

Embora uma ala jurídica do União Brasil ainda alimente esperanças de reverter a prisão preventiva de Canella e manter seu nome na disputa eleitoral sob a alegação de perseguição política, o estrago no coração da direita fluminense é considerado irreversível pelos analistas. O isolamento de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro impõe uma severa derrota tática à extrema direita a poucos meses do início oficial do período eleitoral. Sem a capilaridade e o tempo de televisão da federação União-PP, a pré-campanha do PL entra em rota de colisão interna, evidenciando que a máquina partidária bolsonarista fragmenta-se em meio a denúncias de corrupção, apreensões de armas de guerra e oportunismo político.

Com informações do Brasil 247

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Fonte: PlantãoBrasil

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