Campanha de Lula denuncia interferência da Meta e TSE impõe multa diária de R$ 500 mil
Relatório técnico da campanha petista aponta tratamento desigual e falhas em algoritmos da Meta, levando o TSE a exigir isonomia sob pena de multa.

Foto: Meta Crédito: REUTERS/Yves Herman//Foto de arquivo · Original e licença
A equipe digital da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou um relatório técnico detalhando uma série de supostas irregularidades na atuação da Meta durante as eleições de 2026. O documento, que analisa o comportamento do Instagram, Facebook e WhatsApp, levanta suspeitas de que a empresa tenha promovido um tratamento desigual entre a candidatura de Lula e a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O material compila episódios de bloqueios em ferramentas de publicidade, assimetrias nos sistemas de recomendação e disparidades no engajamento. Um dos pontos centrais é a diferença de desempenho: embora Lula possua mais seguidores no Instagram, o perfil de Flávio Bolsonaro registra taxas de interação e visualizações nos Reels significativamente superiores. Além disso, o relatório aponta falhas na Meta AI, que teria recusado a geração de imagens associadas ao petista enquanto autorizou conteúdos similares para o adversário.
Diante das denúncias, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou em 15 de outubro que a Meta adote medidas imediatas para garantir a isonomia entre as candidaturas. A decisão estabelece multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento e prevê a possibilidade de uma fiscalização extraordinária no Plano de Conformidade da plataforma.
O documento da campanha também incorpora dados do canal 'Censura Digital', que recebeu mais de 3,2 mil denúncias de usuários entre 11 e 16 de outubro. Paralelamente, estudos de organizações como o NetLab/UFRJ e o Instituto Democracia em Xeque reforçam preocupações sobre a circulação de anúncios políticos financiados do exterior e a dificuldade da plataforma em identificar conteúdos sintéticos gerados por inteligência artificial.
Em sua defesa, a Meta tem atribuído as instabilidades a falhas técnicas globais que teriam afetado diversos anunciantes. A campanha de Lula, contudo, sustenta que a empresa precisa ser responsabilizada não apenas pela remoção de conteúdos, mas pelos mecanismos algorítmicos que definem a visibilidade e o alcance de cada candidato no processo eleitoral.
Fonte: Brasil 247

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